8 de dezembro de 2014

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (2014)

Muito eu reclamei do fato do cineasta Peter Jackson ter adaptado o pequeno livro de O Hobbit para uma trilogia cinematográfica, onde cada filme tem duração de quase três horas. Para piorar, a segunda parte (A Desolação de Smaug) terminou de uma forma tão abrupta que temia pelo resultado final da terceira e última parte. Se, por um lado, A Batalha dos Cinco Exércitos não termina de uma forma tão inesquecível como foi na trilogia original, por outro, felizmente, se encerra de forma satisfatória e fazendo jus a proposta inicial desse grande projeto.

Se no filme anterior havia uma prólogo engenhoso, criado pelo cineasta para situar um marinheiro de primeira viagem, aqui não há tempo para isso (exigindo que se veja os filmes anteriores) e, sendo assim, a trama já começa exatamente aonde havia encerrado A Desolação de Smaug. Portanto, testemunhamos a quase extinção dos humanos na cidade flutuante, cabendo então a Bard (Luke Evans) encarar o dragão sozinho e se tornando um dos grandes heróis dessa nova trilogia. No entanto, se por um lado se encerra esse momento dramático que tanto esperamos durante um ano, por outro, sentimos que foi um tanto rápido a participação final desse incrível dragão que impressionou no filme anterior, graças a voz onipresente de Benedict Cumberbatch (de Álbum de Família).

Após isso, testemunhamos um novo começo para todas as sub-tramas que haviam sido não concluídas no capitulo anterior. Jackson se torna habilidoso em não se enrolar muito nelas e portanto todas as pontas soltas com seus determinados protagonistas se reúnem para a inevitável guerra que irá se abater na frente na montanha de Erebor. Anões, humanos, orcs e elfos, todos desejam a mesma coisa: invadir o local e adquirir suas riquezas, principalmente a Pedra Arken.

Uma coisa que eu sempre admirei na obra de Tolkien e que foi transportada fielmente nas mãos de Jackson, foi o fato de os protagonistas sempre viverem na corda bamba com relação ao poder e ambição que desperta neles. Se na trilogia anterior "o anel" provoca esse mal, aqui o mar de ouro de Erebor desperta a ambição de todos os povos, inclusive daquele que a gente menos espera. Se no filme anterior, a ambição que surge de forma repentina em Thorin (Richard Armitage) ao readquirir seu reinado era um tanto que forçada, aqui o ator finalmente nos convence do contrário, nos brindando com uma interpretação digna de nota.
Embora Bilbo Bolseiro (Martin Freema) e Gandaf (Ian McKellen) sejam a força moral que tentam colocar um pouco de luz nesses inúmeros personagens, cujo o desejo é somente guerrear pelo poder, é interessante observar que no decorrer da trama, cada um irá aprender do seu modo, de que haverá sempre um bem maior para se lutar do que adquirir riqueza e glória. Thorin e o rei elfo Thranduil (Lee Pace) irão perceber da melhor e da pior maneira possível o quanto estavam errados com relação ao que eles realmente queriam. Sendo assim, esse último filme pode ser interpretado como uma engenhosa metáfora com relação às guerras entre os povos de ontem e principalmente os de hoje que, por vezes, lutam por desejos mesquinhos e que poderiam encerrar as suas diferenças com um diálogo racional.

Tecnicamente, o filme nos brinda com batalhas campais deslumbrantes, onde a Weta digital mostra o quanto evoluiu e provou que é o melhor estúdio em termos de efeitos visuais atualmente. Quando os exércitos começam a se guerrearem entre si na frente da montanha de Erebor, testemunhamos as melhores cenas de ação desde o encerramento da trilogia original. Destaco principalmente Legolas (Orlando Bloon) que novamente protagoniza as melhores (e absurdas) cenas de ação como sempre.


Mas em meio a tanto efeito visual, Peter Jackson prova que uma história com boas doses de emoção é que conquistam realmente o público. Com isso, testemunhamos o embate final entre Thorin e seu inimigo mortal, o orc pálido Azog, cujo o resultado final é surpreendente e que ficará na memoria dos fãs por um bom tempo. E se a relação amorosa nascida entre a elfa Tauriel (Evangeline Lilly) com o anão Kili (Aidan Turner) soava um tanto que forçado no filme anterior, aqui é concluído de uma forma emocionante e que nos faz perdoar o cineasta em ter inserido essa historia de amor na trama que não havia no livro.

Com um final que enlaça de uma forma perfeita com o início do filme A Sociedade do Anel de 2001, O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos encerra essa trilogia de uma forma digna e provando que o lado ambicioso de Peter Jackson em transformar um simples livro infantil de aventura numa grande trilogia talvez não estivesse tão errado, mesmo com os inúmeros percalços que ele percorreu nessa grande jornada que nós testemunhamos.


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