9 de junho de 2017

A MÚMIA, 2017

Quem é cinéfilo de carteirinha vai se lembrar que essa não é a primeira tentativa recente do estúdio Universal em trazer os seus monstros clássicos de volta para o cinema e conseguir, a partir deles, criar um universo expandido. Isso já foi tentando em 'Drácula - A História Nunca Contada', mas que, devido a péssimas ideias e má direção, as possibilidades foram para o espaço. Eis que novamente o estúdio tenta com A Múmia, mas a indecisão de fazer uma aventura ou terror, faz com que o filme perca a sua própria identidade.

O filme começa nos tempos antigos do Egito, onde vemos uma princesa chamada Ahmanet (Sofia Boutella) ser enterrada nas profundezas do deserto após ter matado o faraó. A trama corta para o presente, onde vemos Morton (Tom Cruise), um soldado americano que está somente interessado em adquirir algum lucro no Iraque através de escavações. Após roubar um mapa da arqueologa Jenny Halsey (Annabelle Wallis), ele parte em busca de relíquias, mas acaba encontrando algo que não deveria ter sido acordado.


Confesso que o primeiro ato é até bem empolgante, já que o cineasta Alex Kurtzman (Bem-vindo à Vida) soube criar um clima com um teor bem sombrio para trama, mesmo ela se passando sob a luz do deserto. Ao mesmo tempo, soube apresentar boas cenas de ação nos primeiros minutos, principalmente com umas bem imprevisíveis: a cena do avião caindo com os protagonistas dentro é disparado o melhor momento.


Porém, essa harmonia entre ação e terror não dura muito, já que esse esforço de unir os dois gêneros num único filme sempre acaba sendo sofrido e aqui não é diferente. O resultado é um filme que, aos poucos, perde a sua identidade e não sabendo onde mirar para se acertar, mas sim jogando inúmeras boas idéias fora e das quais poderiam ter gerado algo bem criativo. Parece que sempre há uma sensação de desespero dos roteiristas da produção em nos dizer que isso irá gerar uma universo expandido, mas se esquecendo antes de nos apresentar uma trama bem conduzida.


Além disso, a situação piora quando vemos velhas caras conhecidas do cinema, mas atuando como se estivessem no piloto automático. Tom Cruise como protagonista, por exemplo, nada faz aqui do que interpretar o mesmo tipo de personagem em que ele atuou nesses últimos vinte anos e o que torna o resultado final bem desanimador. E se Russell Crowe se apresenta com todas boas intenções para nos brindar com uma nova versão de Henry Jekyll para o cinema, eis que a péssima direção do cineasta, aliado a idéias desperdiçadas, fazem com que o seu personagem seja usado de uma forma burocrática e estando ali únicamente para nos dizer que existe um mundo maior a ser explorado.

Felizmente, a ideia de trazer uma múmia em sua forma feminina não se tornou algo devidamente desperdiçado. Sofia Boutella (Star Trek: Sem Fronteiras) se esforça ao máximo em cena, mesmo com as maquiagens e efeitos que criam o visual da sua personagem e sempre sentimos uma aura trágica toda vez que ela surge em cena. O mesmo não se pode dizer de Annabelle Wallis (Annabelle), cuja personagem poderia ter sido facilmente interpretada por qualquer outra atriz, já que ela está ali somente para criar um dispensável par romântico com o protagonista.

Com uma divertida (ainda que desperdiçada) referência que a trama faz ao clássico "Um Lobisomem Americano em Londres" (de 1981), A Múmia é um filme sem identidade própria, cuja a ambição do estúdio de querer criar um universo expandido de monstros clássicos do cinema acaba que por nublando um resultado positivo para o filme. 


MULHER MARAVILHA

Embora tenha dividido a opinião do público e da crítica, Batman vs Superman tinha algo do qual todos concordaram por unanimidade: Mulher Maravilha interpretada por Gal Gadot foi uma das melhores personagens que surgiram no filme. Criticada no princípio por observações pífias, essa modelo  israelense, além de ex-combatente do exercito de Israel, ingressou na carreira de atriz levando tudo a sério e nos brindou com a melhor representação da personagem desde que Lynda Carter vestiu o traje nos já  longínquos  anos 70.
Faltava-lhe então um filme solo, do qual se pulverizasse todo o ceticismo com relação ao futuro da personagem no cinema e do próprio universo da DC. Eis que a tarefa caiu nas mãos da cineasta Patty Jenkins, responsável por filmes como Monster: Desejo assassino e da elogiada série The Killing.  Embora nunca tenha feito um filme do gênero fantástico, Jenkins foi a escolha correta no cargo da direção, pois ela não fez meramente uma adaptação de uma HQ, mas sim explorou o verdadeiro significado do papel da personagem no mundo dos homens.
O filme começa na ilha do Paraíso, onde vemos a pequena Diana deslumbrada com as guerreiras amazonas, mas impedida de ser uma, pois a sua mãe e Rainha Hipólita (Connie Nielsen) acredita que ela possua outro caminho para exercer. Porém, Diana recebe treinamento secreto de sua tia Antiope (Robin Wright, a primeira dama da série House of Cards), pois ela enxerga naquela menina uma futura guerreira e predestinada por um bem maior. Isso se concretiza no momento em que o soldado inglês  Steve Trevor (Chris Pine) cai na ilha, anunciando uma terrível guerra que irá se assolar na terra e despertando em Diana o desejo de combatê-la.
Sabiamente, a cineasta Patty Jenkins não tem pressa em colocar a personagem na ação iminente, mas sim gradualmente nos apresentando ela, fazendo a gente conhecer as suas motivações e o seu mundo governado por grandes guerreiras. Além de ter a proeza de conseguir adaptar as origens daquele mundo fantástico, Jenkins conseguiu saber casar momentos de verossimilhanças e com situações das quais exijam cenas de ação muito bem filmadas. Embora tenha me incomodado algumas vezes a sua persistência em criar algumas cenas em câmera lenta,  Jenkins jamais as poluí com inúmeros efeitos visuais, mas sim se preocupando em nos passar momentos dos quais possamos nos deslumbrar com belas cenas de ação na medida certa.
Acima de tudo, é um filme que as motivações dos personagens, além de sua humanidade, é o que falam mais alto e não meramente um filme sobre o bem contra o mal. Embora sábia em seu mundo, Diana não esconde uma certa ingenuidade com o novo mundo do qual conheceu e acredita, por exemplo, que se derrotar Ares o Deus da Guerra, ela irá então eliminar a 1ª guerra que assola a terra naquele momento. Gradualmente ela irá aprender, mesmo que da pior maneira possível, que as origens da guerra e suas consequências não podem ser meramente eliminadas através do uso da espada, mas sim nas virtudes das quais ela realmente acredita.
Mesmo ainda sendo uma novata no mundo da atuação, Gal Gadot nasceu para a personagem, pois ela consegue passar força, mas ao mesmo tempo delicadeza e uma ingenuidade pura da qual a personagem passa para nós. Embora não exagere nos momentos cômicos, é muito divertido ver a personagem, por exemplo, aprendendo a ter que lidar com costumes, no modo de se vestir e do papel da qual a mulher exerce num mundo ainda muito machista dos anos 30.
Mesmo ainda marcado como capitão Kirk nos novos filmes de Star Trek, Chris Pine se sai bem como Capitão Steve Trevor, pois as motivações do seu personagem é o que fazem mover as pedras do tabuleiro da trama. Não é meramente um personagem criado para fazer par romântico com Diana, mas sim  tendo papel importante no aprendizado dela. Curiosamente, a sua primeira aparição, assim como a sua última cena, simbolizam a passagem de Diana para um  novo mundo e do qual ela terá que saber enfrentá-lo da melhor maneira possível.
Embora desde o princípio seja conhecido o fato de que Ares ser o verdadeiro vilão da trama, é curioso como ele foi guardado a sete chaves para que ele se tornasse então uma espécie de fator surpresa no ato final da trama. Embora a sua figura não seja nada memorável, ele é também inserido como rito de passagem e aprendizado para Diana com relação ao mundo dos homens e fazendo te-la que escolher pelo caminho mais difícil de sua vida. É um dos momentos mais corajosos da trama, pois mostra o lado perverso da guerra, do qual desperta o pior do homem e que caberá a protagonista conseguir encontrar motivações para que ela siga em frente e lute pelo que acredita.
Resumidamente, Mulher Maravilha é o melhor filme da Warner/DC desde o Cavaleiro das Trevas, pois nos passa uma ar revigorante, moldado de coração e com uma boa dose de esperança para todos nós. 

25 de maio de 2017

CORRA!

Quando se é bem feito, o gênero de horror é um território fértil de boas histórias, onde se tem a possibilidade de se criar uma trama da qual se torne um reflexo sobre a nossa realidade contemporânea. Em tempos incertos, onde um conversador como Trump está no posto mais poderoso do mundo, o cinema se encarrega de lançar obras das quais nos fazem debater sobre os poderosos que nos governam e sobre o papel daqueles que são perseguidos pelo preconceito sem sentido. Mais do que uma obra de terror sobre o racismo em pleno século 21, Corra! é uma metáfora crítica sobre a nosso mundo alienado e cada vez mais absorvido por uma realidade plástica do qual os meios de comunicação tentam nos vender no dia a dia.
Dirigido pelo estreante Jordan Peele, o filme acompanha a ida do casal Cris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams) à casa dos pais dessa última e para que eles então possam conhecer Cris. Aos estarem na residência, os pais de Rose se comportam de uma forma meio peculiar com o Cris pelo fato dele ser negro. A situação fica cada vez mais mórbida no momento que Cris se dá conta que os empregados do casal agem de uma forma peculiar e sarcástica, como se não vivessem exatamente na realidade dos quais eles se encontram.
Falar mais seria igual a estragar as inúmeras surpresas que o filme nos reserva, principalmente pelo fato de ser uma obra da qual ela é mais bem compreendida após uma segunda sessão e o que torna a experiência cinematográfica cada vez mais interessante. Bebendo da fonte dos mestres do suspense como Alfred Hitchcock, por exemplo, o cineasta Jordan Peele fez bem a sua lição de casa, ao criar uma trama da qual nos identificamos, mesmo quando sua obra foge de uma verossimilhança da qual havia injetado em sua primeira meia hora de projeção. Curiosamente, o filme parece um grande episódio da já cultuada série Black Mirror e essas sensações aumentam ainda mais principalmente pela presença do ator Daniel Kaluuya (visto no segundo episódio da série) que aqui se apresenta como a verdadeira força matriz do filme.
Na trama, o seu personagem Cris é alguém desconfiado perante o mundo em sua volta, como se a perfeição fosse apenas uma cortina da qual esconde uma realidade crua e que vive tentando escapar dela. Essa sensação somente piora no momento em que ele se encontra naquele local misterioso, onde a normalidade e a perfeição se tornam estranhas e até mesmo amedrontadoras. Quando então conhecemos um pouco sobre o seu passado, percebemos que Cris é vitima desde o princípio, não pela possibilidade de ter sofrido o preconceito racial, mas por ter sido absorvido por um determinado meio de comunicação que o deixou adormecido em um momento crucial de sua vida e que o marcou para sempre.
Ponto para o cineasta Jordan Peele, ao conseguir criar um momento simbólico, onde uma simples figura familiar de nosso dia a dia se torna então uma figura maléfica e opressora. Os simbolismos apresentados então no filme se casam com perfeição com a ambigüidade vinda dos personagens daquele local, onde não deixam de escancarar um desejo de curiosidade por Cris, como se ele estivesse numa jaula sendo estudado e para logo depois ser colocado numa prova de choque. Esse cenário é todo moldado pelos pais de Rose (Catherine Keener e Bradley Whitford, ótimos em cena), cujo comportamento de ambos só não é mais estranho graças à presença de outros personagens negros do local, dos quais se comportam como se estivessem deslocados dessa realidade, absorvidos em um tempo retrógrado e já muito esquecidos.
Uma vez que aquela realidade já não faz nenhum sentido, é então que Cris toma uma providência e o que acaba descobrindo o que realmente se passa no local. É então que o filme, surpreendentemente, se encaminha por um território familiar para os fanáticos pelos filmes de terror de antigamente, mas que poderia soar ridículo e sem nenhum sentido nos dias d hoje. Felizmente, a proposta principal do filme fica intacta, mesmo quando o roteiro ameaça se enveredar para o absurdo ou para soluções fáceis e fechando a obra de uma forma que a gente saia da sessão com o desejo de debatermos sobre o que assistimos.
Com a proeza de ter até mesmo algumas boas pitadas de humor, CORRA! nos surpreende pela sua originalidade, mas ao mesmo tempo, sabendo usar velhas fórmulas de sucesso para se criar um belo filme de terror contemporâneo.  
 

23 de maio de 2017

Alien: Covenant

Quando o cineasta Ridley Scott criou o projeto Prometheus, ele não somente queria lançar uma luz sobre os eventos que acontecem antes do clássico Alien: 8º Passageiro, como também explorar a possibilidade dos seres humanos terem sido criados por extraterrestres. Porém, o filme dividiu a opinião do público e da crítica, pois lançou mais perguntas do que respostas e dando a entender que elas somente iriam ser respondidas numa eventual sequência. Chega então Alien: Covenant, que, aparentemente, era para dar continuidade e enlaçar as pontas soltas dos eventos vistos no filme anterior, mas não é bem isso que acontece.
Novamente dirigido pelo cineasta, acompanhamos a missão dos tripulantes da Covenant, cuja missão é transportar duas mil pessoas para um novo mundo e assim habitá-lo. Porém, após um desastre que quase vitimou toda a tripulação, eles são colocados em nova rota pela galáxia e dando de encontro com um novo planeta do qual mais parece um paraíso. Porém, ao chegarem ao local, irão se dar conta que o paraíso pode ser até mesmo pior do que o próprio inferno.
Antes desses eventos citados acima, o filme começa com um prólogo engenhoso, onde ele enlaça esse filme com o anterior, mas ao mesmo tempo, explorando embate do criador com a criatura. É nessa cena que assistimos os primeiros passos do androide David (Michael Fassbender, espetacular), do qual começa a dialogar e a discordar de pensamentos vindos do seu criador Peter Weyland (Guy Pearce), e fazendo desse embate uma salada de referências, que vai desde a uma simples comparação ao conto de Frankenstein, como também sobre o papel de Deus na vida do homem. Por meio desses pensamentos, podemos enxergar David como uma espécie de referência ao anjo Lúcifer, sendo o primeiro e mais belo anjo do céu, mas que desafiou o seu próprio criador, desejando destruir o paraíso e sendo condenado então ao inferno.
Com todas essas referências, tanto vindas da literatura como também da própria bíblia, é uma pena então que Scott prefira logo se concentrar em tentar ligar esse longa metragem ao clássico de 1979, sendo que até mesmo a trilha sonora daquele filme ecoa em muitos momentos aqui. Com essa preocupação em querer nos lembrar que, tanto o primeiro Alien, como também do recente Prometheus são ligados a esse novo capítulo, o filme acaba perdendo um pouco de sua identidade própria, mesmo quando o cineasta tenta fazer algo de original no decorrer de mais de duas horas de projeção. Contudo, uma vez que os personagens colocam os pés no planeta, já temos uma idéia sobre o que vira em seguida, o que acaba soando previsível.
Mas se há previsibilidade sobre o que irá acontecer, Ridley Scott consegue ao menos injetar boas doses de tensão nesses momentos que nos soam familiares, mas bem dirigidos e de uma forma da qual nos passe algo novo. A primeira aparição da criatura (numa forma inédita), por exemplo, é desde já o momento mais sinistro e angustiante do filme. É uma pena portanto que ao decorrer do filme não haja cena que supere esse momento e ponto chave da trama.
E se muitos ainda tinham esperanças de que o filme pudesse responder as inúmeras perguntas das quais ficaram no ar no longa metragem anterior, Ridley Scott faz questão de destruir elas numa única tacada só, numa cena emblemática e cheia de prepotência. No meu entendimento, Scott não gostou de nenhuma das críticas que sofreu ao lançar Prometheus, decidindo então pulverizar qualquer possibilidade de nascimento de uma nova teoria e construindo a partir disso tudo do zero. Com isso, o cineasta novamente se concentra na velha história do criador e criatura, dando continuidade ao prólogo do filme e armando o palco para a primeira aparição do Alien do qual nós conhecemos.
É nesse ponto que o cineasta concentra todas as suas fichas no desempenho de Michael Fassbender, sendo que aqui ele interpreta tanto o já conhecido androide David, como também o androide Walter e que veio junto com a nave Covenant. Fassbender dá um verdadeiro show de interpretação, pois tanto David como Walter, embora idênticos, possuem personalidades distintas e Alien: Covenant  o que desencadeia um debate acalorado sobre o papel de ambos em meios aos homens que os criaram. Se antes as motivações de David poderiam ser comparadas ao do próprio Lúcifer, aqui essa comparação se torna ainda mais explicita, pois é neste ponto que a trama lembra até mesmo o poema de Paraíso Perdido, de John Milton, onde o texto explora a história cristã sobre a expulsão de Lúcifer do Jardim do Éden.
Mas se o desempenho de Fassbender é o que dá gás ao filme, por outro lado, isso faz com que a maioria do elenco se torne opaco mesmo com todo o esforço de cada um deles em cena. Nem mesmo o esforço de Katherine Waterston (Animais Fantásticos) dá bom resultado, pois a sua transição de mulher guerreira contra o Alien soa meio que inverossímil. Isso faz então com que a ausência da personagem Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) de Prometheus seja ainda mais sentida, sendo que o seu desaparecimento é explicado, mas sendo algo que poderia ter sido facilmente evitado.
Com um final do qual dá entender que teremos mais um capítulo adiante, Alien: Covenant é aquele tipo de filme que irá fazer surgir alguns adoradores, como também muitos detratores, mas que somente o tempo é o que irá julgá-lo da forma como ele merece.  
 

5 de maio de 2017

Guardiões da Galáxia Vol. 2



O primeiro Guardiões da Galáxia (2014) foi uma inesperada surpresa para todos que seguem o universo Marvel no cinema. Visto com desconfiança pela maioria na época, o filme estreou com sucesso de público, crítica, ganhando status de até mesmo de culto, pois o filme presta uma bela homenagem para aqueles que cresceram nos coloridos anos 80, através de um visual meio retro, com uma trilha sonora nostálgica e caprichada. Tudo que funcionou no primeiro filme retorna em dobro nessa segunda parte e com direito de até mesmo superar o seu antecessor em alguns quesitos.
Novamente dirigido por James Gunn, o filme começa com a equipe participando de uma importante missão em defesa da Galáxia, mas ao mesmo tempo, ganhando uns trocados em algumas trapaças. Após as desavenças com os últimos contratantes chamados de Soberanos, a equipe se vê presa num planeta cheio de vida, porém misterioso. No local, Peter Quill finalmente conhece o seu pai chamado Ego (Kurt Russel, no seu melhor momento na carreira em anos) e que desvenda a ele a sua real natureza alienígena.
Mais do que uma continuação, o filme dá espaço para um desenvolvimento melhor aos seus personagens. Se no filme original mostrava personagens desajustados, mas forçados a se unirem por um bem maior, aqui o que pesa é como se encaixa a palavra “família” em meio a personagens tão complexos e distintos. Cabe então o roteiro nos brindar com momentos de altas doses de reflexão dos quais os personagens passam, mas sempre dosados com mais singelo humor Marvel, mas sem cair no lado pretensioso do qual o estúdio em algumas ocasiões falha.
Diferente dos seus filmes irmãos, dos quais vivem sempre na preocupação com relação à interligação de um filme para outro, a história de Guardiões da Galáxia vive bem e independente do outro lado da galáxia, mesmo quando surge no decorrer do filme eventos e personagens que ligam esse universo vasto do estúdio. Outro ponto a favor é do filme não se prender a inúmeras tramas, mas sim numa única, onde ocorre no planeta que é o lar do pai de Peter Quill. Aliás, é preciso tirar o chapéu quando o filme apresenta no início do filme um Kurt Russel jovem no início dos anos 80, mas graças aos mirabolantes efeitos especiais de hoje e provando que não há mais limites entre cenas reais e montadas pelo CGI.
Embora o filme extrapole um pouco em alguns momentos cheios de efeitos visuais, é no lado humano que fala mais alto na trama, com o direito de até mesmo alguns personagens secundários do filme anterior terem aqui maior relevância. Bom exemplo é a personagem Nebulosa (Karen Gillan) que, se no filme anterior ela era uma personagem dispensável, aqui ela ganha profundidade melhor trabalhada ao que se refere em sua relação com a sua irmã Gamora (Zoe Saldana) e sobre a difícil infância de ambas criadas pelo vilão Thanos. Mas é o saqueador Yondu (Michael Rooker) que ganha uma participação maior, extraordinária e sua ligação quase paternal com Peter Quill cresce no decorrer da trama e nos brindando com os momentos mais emocionantes do filme.
Mas o que todos lembram com maior carinho com relação ao filme anterior era sua trilha sonora e aqui ela retorna com toda força. Mais do que embalar os momentos de ação e humor, as musicas apresentadas aqui servem para se casar com a proposta principal de algumas passagens do filme. Com isso, as músicas de nomes como Fleetwood Mac, Sam Cooke, George Harrison, Looking Glass, Cat Stevens, dentre outros, embalam cada momento do filme e fazendo a gente cantarolar e se mover a todo o momento na poltrona durante a sessão.
Com a participação ilustre de Sylvester Stallone interpretando o saqueador Stakar Ogord (provavelmente o veremos num futuro filme da Marvel), Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um filme para toda a família, principalmente pelo fato que essa palavra é o que dá gás e alma ao filme como um todo.

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