20 de fevereiro de 2017

Lego Batman: O Filme

Ao longo dos quase oitenta anos de vida, Batman já passou por diversas versões, tanto nas HQ, como também em desenhos animados, séries e longas metragens. Para nunca ficar fora de moda, o personagem foi se atualizando sempre de acordo com a sua época. Se os anos 60 eram paz e amor, ele tinha que seguir essa cartilha, mas se os anos 80 eram sombrios, o personagem se tornaria então durão, violento e assim por diante.
Mas uma coisa que todas essas adaptações têm em comum é de não ter explorado do por que o personagem sempre querer  ser solitário. Tudo bem que ele é um personagem trágico, pois ele se tornou o que é graças ao fato dos seus pais terem sido assassinados por um criminoso quando era apenas uma criança. Contudo, será que é realmente necessário o personagem ser assim tão pouco sociável?
A resposta para isso se encontra LEGO Batman: O Filme, longa metragem derivado do criativo Uma Aventura Lego, onde essa versão do Batman havia aparecido como coadjuvante pela primeira vez e que roubava a cena. Naquela versão, Batman era uma pessoa egocêntrica, se achando o maioral e sempre querendo fazer todo o trabalho sozinho. Aqui conhecemos então o lado mais pessoal do personagem, onde toda a mitologia criada por inúmeros roteiristas ao longo das décadas é colocada num único filme e se tornando então uma bela homenagem.
Dirigido por Chris McKay, acompanhamos mais um dia de luta do Batman contra todos os seus piores inimigos e liderados pelo seu maior adversário o Coringa, Após a vitória, surge na cidade Barbara Gordon, para suceder o seu pai no trabalho e decidindo então criar uma força policial que tenha poder o suficiente para que não possa depender somente do Batman para combater o crime na cidade. Isso acaba desencadeando eventos dos quais irá fazer o protagonista tome decisões precipitadas, mas ao mesmo tempo, fazendo com que ele se conheça realmente.
Embora a trama possa aparentar simplicidade, ela acaba desencadeando inúmeras subtramas, mas que jamais confunde quem está assistindo, mesmo quando os roteiristas injetam inúmeras cenas de ação para encher os olhos. Na realidade o coração do filme se encontra em temas com relação à família, da qual o personagem começa entender o seu significado, principalmente quando adota (por acidente) Dick Grayson e que posteriormente se tornaria o Robin. É muito divertido vendo o personagem tendo quer ser pai de forma involuntária, gerando piadas a todo o momento, que vai da sátira para homenagens que os fãs de carteirinha irão identificar facilmente.
Falando em homenagens, o filme não se restringe a somente ao universo do homem morcego, como também surge a participação, mesmo que rápida, de outros heróis da editora DC como Superman. Como a rivalidade dos dois ícones da editora se tornou notória graças a Batman VS Superman no ano passado, era inevitável que houvesse referencias sobre os anos de desentendimentos entre os dois super amigos. Ao mesmo tempo, o filme tem um tempinho para homenagear até mesmo o clássico Superman de 1978, com o direito de até mesmo ouvirmos rapidamente a clássica trilha de John Willians.
Como se isso já não bastasse, o filme ainda tem a ousadia de inserir a participação de outros vilões de outras franquias que não são da DC e inseri-los na trama. Liderados pelo Coringa, surgem os vilões popularmente conhecidos das franquias Senhor dos Anéis, Matrix, Harry Potter e até mesmo a participação de monstros clássicos como King Kong. Pode até parecer exagero, mas para fã cinéfilo ver todas essas referências na tela é prato cheio, mas ao mesmo tempo o roteirista teve o cuidado para que tudo isso não virasse uma grande salada e dando sempre um espaço maior para o melhor desenvolvimento dos personagens principais.
Esse seja talvez o maior trunfo dessa animação, ao não esquecer da humanidade e complexidade desse personagem cheio de camadas, mas que a gente se identifica facilmente. O ápice do filme se encontra no momento em que o personagem se dobra para os seus mais profundos sentimentos, mas nunca abandonando sua pose solitária, porém, abrindo a possibilidade de ser um pouco mais receptiva. Não é um momento do qual ele se torna uma piada, mas se tornando então uma figura mais humana e que aprende com os seus próprios erros.
Com todos esses ingredientes num único experimento cinematográfico, LEGO Batman: O Filme é uma divertida, nostálgica e bela carta de amor a esse rico personagem.

25 de janeiro de 2017

DICA DE CINEMA: ARMAS NA MESA


Indicada ao Globo de Ouro na categoria de melhor atriz de drama pelo papel em “Armas na Mesa” (Miss Sloane), Jessica Chastain estará de volta aos cinemas brasileiros a partir de 2 de fevereiro, quando o thriller dramático ganha estreia nacional.

Dirigido por John Madden, de “Shakespeare Apaixonado”, “Armas na Mesa” retrata a difícil missão da poderosa lobista Elizabeth Sloane (Jessica Chastain): liderar a luta pelo controle de armas nos Estados Unidos, diante de ações de interesses particulares que beneficiam políticos e um grupo de lobistas. Apoiada por Rodolfo Schmidt (Mark Strong) e pela assistente Esme Manucharian (Gugu Mbatha-Raw), Elizabeth arquiteta estratégias de antecipação e cria um ambiente hostil aos homens mais poderosos do Congresso norte-americano. Na trama, o limite de sua influência é testado com medidas que confrontam até mesmo seus aliados.

Sinopse
Elizabeth Sloane (Jessica Chastain) é a mais procurada e formidável lobista em Washington, D.C. Conhecida igualmente por sua astúcia e seu histórico de sucesso, ela sempre fez o que era necessário para vencer. Quando ela enfrenta o adversário mais poderoso de seu meio, ela percebe que ganhar pode custar um preço muito alto.

24 de janeiro de 2017

La La Land - Cantando Estações

Para mim, pelo menos, Whiplash: Em Busca da Perfeição, está entre os melhores filmes dos últimos dez anos. Mesmo com pouca idade, o cineasta Damien Chazelle fez um trabalho de veterano, onde a dualidade entre professor e aluno, faz com que a obra tenha alma própria. Embora não tenha a mesma magnitude, La La Land - Cantando Estações é uma carta de amor a era de ouro do cinema e uma bela homenagem ao universo do jazz.
O filme começa num dia ensolarado, mais precisamente em uma rodovia que dá para Los Angeles, a cidade para aqueles que procuram o estrelismo. Em meio a esse transito, há Mia (Emma Stone) uma garçonete que participa sempre de testes para elenco e Sebastian (Ryan Gosling) um pianista do jazz, que sonha inaugurar sua própria casa noturna e da qual ficará sempre tocando sua amada música. Ambos acabam se cruzando no decorrer do tempo e iniciando uma história de amor, em meio a desejos, sonhos e obstáculos.
Nos últimos tempos, os estúdios americanos têm tentado revisitar o bom e velho cinema de antigamente como, por exemplo, O Artista e A Invenção de Hugo Cabret, onde retratam um período em que a sétima arte estava a recém engatinhando. Embora não seja um filme que retrate esse período, La La Land usa todos os ingredientes de como se fazia um bom cinema, onde os velhos artifícios possuíam alma e não dependia tanto da área tecnológica. O resultado é um filme nostálgico, onde emana um período mais inocente e do qual os sonhos pareciam ser mais fáceis de serem realizados.
Com uma fotografia de cores quentes, alinhado com uma montagem elegante e com  planos sequências arrebatadores, faz da Los Angeles de hoje vista no filme se transformar numa cidade como ela era antigamente,  como se ela jamais tivesse mudado, mesmo com todas as mudanças ao longo das décadas. Talvez a magia do musical, do qual está espalhado em todo o decorrer do filme, faz com que aceitemos facilmente essa proposta do roteiro, já que ás músicas nos empolga no princípio, mesmo que a maioria das letras a gente não se lembre muito quando saímos da sala. Porém, a trilha sonora instrumental da obra quando tocada, principalmente quando o casal central se encontra em cena, é aquele tipo de trilha da qual ficamos cantarolando após a sessão.
Claro que, embora com toda essa criatividade vinda da parte técnica, o filme não funcionária se o casal central não convencesse em cena. Mas eles não só nos convencem, como também torcemos por eles, mesmo quando advínhamos o que acontecerá em seguida. Por ser uma trama simples, o segundo e terceiro ato final acabam soando um tanto que previsíveis, mas tudo sendo contornado por uma boa direção, técnicas de filmagens impecáveis e um casal central dando tudo de si.
A química de Emma Stone (Birdman) e Ryan Gosling (Drive) é ótima em cena, seja quando ambos estão dialogando ou simplesmente dançando e sabendo seguir o ritmo um do outro. Tendo trabalhado juntos em filmes como Caça aos Gângsteres, Stone e Gosling já haviam provado boa parceria juntos, mas nunca em um grau tamanho como esse e nos brindando em cenas inesquecíveis: a sequência de ambos no planetário (homenagem explicita a Juventude Transviada) talvez seja o ápice do filme como um todo.
Com belas homenagens que vão desde Casablanca, Cantando na Chuva e até mesmo Oito e Meio, La La Land - Cantando Estações pode até não mudar a vida de ninguém, mas consegue o feito de nos transportar para um conto, do qual a realidade é cheia de cores e que a chave para a felicidade pode estar muito mais perto do que se imagina. 
 

5 de janeiro de 2017

ANIMAIS NOTURNOS

Sempre quando eu vou participar dos cursos de cinema do Cine Um, por exemplo, há sempre alguns vídeos interessantes para serem vistos na tela antes da atividade. Em um desses há um curioso, onde mostra o primeiro plano de determinados filmes clássicos e de como eles se casam com o seu plano final. Em Animais Noturnos, as primeiras cenas são impactantes, das quais nos deixa desconfortáveis, mas que ao mesmo tempo, tem tudo a ver com os momentos finais da obra e isso já é um grande feito.
Dirigido por Tom Ford (Direito de Amar) o filme é baseado  no livro Tony and Susan, de Austin Wright e que conta a história de Susan (Amy Adams), mulher bem sucedida na vida, mas que vive melancólica com o seu casamento desastroso. Certo dia ela recebe um livro do seu ex-marido (Jake Gyllenhaal) do qual começa a ler. Imediatamente a trama se direciona justamente dentro da trama do livro, onde acompanhamos um pai de família (também interpretado por Jake Gyllenhaal), cujas férias terminam de forma violenta e o caso acaba sendo investigado por um policial (Michael Shannon).
Conhecido pelo universo da moda, Tom Ford surpreende ao demonstrar total segurança na direção e ao mesmo tempo dando verdadeira aula de como se cria um cinema autoral. Se no direito de Amar ele já havia começado bem, aqui ele se comporta na cadeira de cineasta como um verdadeiro veterano e nos brindando com um filme tenso, sombrio e cheio de significados. A trama dentro da trama pode até não ser novidade no cinema, mas ao mesmo tempo, ela serve como uma espécie de representação dos atos e consequências dos personagens principais em cena e que os levam a um caminho sem volta.
Diferente do que se imagina, a trama mostrada dentro do livro acaba se tornando o foco principal, pois é nela que se encontra todo o momento dos quais farão o cinéfilo se grudar na cadeira e se perguntar o que virá em seguida. Na realidade, a trama do livro dentro da história, pode ser interpretada como uma forma da qual um determinado personagem da trama procurou saber expressar os seus sentimentos devido a um passado que lhe deixou em pedaços. E se num primeiro momento a trama dentro da trama não faz sentido, o roteiro se encarrega de amarrar as pontas soltas e fazer com que o ato final termine de uma forma esclarecedora e imprevisível.
Além de uma trilha, montagem e fotografia que remetem um belo filme policial de antigamente, Tom Ford foi feliz ao escolher o seu elenco, do qual cada um dá um verdadeiro show em cena. Se Emy Adams já havia surpreendido no recente A Chegada, aqui ela passa uma personagem com conflitos internos e que não sabe qual o caminho trilhar depois de ter escolhido caminhos errôneos pela vida. E se  Jake Gyllenhaal novamente nos brinda com uma interpretação eficaz, ouso dizer que Michael Shannon nos apresenta aqui o melhor desempenho de sua carreira, pois ele simplesmente rouba a cena toda vez que surge com o seu trágico personagem e que acaba se tornando o mais fascinante de toda a trama.
Resumidamente, Animais Noturnos é um filme de escolhas e de suas consequências. Ao  retratar o pior do ser humano do mundo contemporâneo, ele acaba escancarando um mundo cada vez mais  moldado pela hipocrisia, atos inconsequentes e por um conservadorismo pálido perante as mudanças que sempre ocorrem no dia a dia da sociedade. Uma vez que cada um dos personagens comete um ato imprevisível, ao mesmo tempo escolheram uma rota de colisão do qual gerará cicatrizes permanentes e que, talvez, a palavra perdão não seja o suficiente.
Com um final em aberto em bem anti-hollywoodiano, Animais Noturnos é um belo e poderosíssimo filme, do qual fará as pessoas pensarem e ao mesmo tempo se perguntarem sobre o destino de cada um dos seus personagens que se encontram perdidos em suas próprias vidas.  


20 de dezembro de 2016

Sully - O Herói do Rio Hudson



Às vezes o mundo real é mais surpreendente do que qualquer ficção. Seja ela em maior ou menor grau, existem histórias das quais que, mesmo havendo provas, duvidamos até mesmo de sua veracidade. É pensando desta forma que, talvez, Clint Eastwood tenha se interessado em levar os eventos do dia 15 de Janeiro de 2009 para as telas, já que a situação fez com que os EUA e o mundo parassem na frente da TV, pois tudo era deveras surpreendente.
Baseado em fatos verídicos, acompanhamos o piloto Sully Sullenberger (Tom Hanks), que vive uma fase de herói nacional, já que conseguiu o que muitos pilotos na história nem sonhavam em conseguir. Durante uma viagem de vôo, seu avião é atingido por um grupo de pássaros e fazendo com que um dos motores da aeronave ficasse comprometido. Sem muita opção em pouco espaço de tempo, Sully toma uma medida arriscada: pousar o avião com 155 passageiros a bordo e justamente nas águas do Rio Hudson.
Após o feito, passageiros e tripulantes são resgatados todos com vida e tanto Sully, como o seu companheiro co-piloto (Aaron Eckhart) são reconhecidos como heróis. Contudo, Sully começa a ter conflitos internos com relação a sua façanha, pois sabe que a sua escolha poderia também desencadear um trágico evento. Ao mesmo tempo, os donos da empresa de aviação acreditam que Sully pode ter cometido um erro e o que faz dele um alvo a ser questionado.
Sem muitas pretensões, Clint Eastwood não faz da figura de Sully um herói da pátria, mas sim o retrata na tela como uma pessoa comum, do qual participou de uma situação incomum e que agiu com profissionalismo para o bem dos passageiros dos quais ele levava. Não há também no filme a pretensão em transformar as figuras daqueles que acusam Sully em vilões, mas sim retratar homens que são presos pela burocracia e que, assim como o protagonista, são também seres humanos cheios de dúvidas. Portanto não há heróis ou vilões na trama, mas sim humanos que tentam saber administrar uma situação poucas vezes vista e sentida.
Embora o incidente tenha acontecido em pouco espaço de tempo, podemos facilmente colocá-lo dentro do gênero “filme catástrofe”, pois Eastwood consegue explorar alguns dos passageiros do avião através de flashback. É claro que isso é um artifício para fazer com que nos identifiquemos com algum dos personagens apresentados, mas meio que ele soa um tanto que deslocado, pois pelo que é entendido, estamos vendo um flashback de Sully, mas se é assim como ele poderia ter acompanhado o que os passageiros estavam fazendo minutos antes de embarcarem? Um momento de pouca verossimilhança e que somente serve para dar mais dramaticidade à trama, mesmo que de uma forma um tanto que equivocada.
O filme funciona mais graças à presença do sempre competente de Tom Hanks e que, apesar de não possuir uma caracterização semelhante com o verdadeiro Sully Sullenberger mostrada no filme, sua interpretação é eficaz. É genial, por exemplo, quando o seu personagem encara dentro de si as inúmeras possibilidades das quais poderiam ter surgido e que causariam um verdadeiro desastre. É nessas cenas que Hanks passa todo o seu potencial, mesmo numa trama da qual não exija muito dele.
Vale destacar o ato final da trama, pois é colocado em pratica o lado humano perante uma situação da qual nem a própria tecnologia pode realmente explicar.  Se a tecnologia diz o que é para se fazer, não significa que colocá-la em prática numa situação crítica irá dar realmente certo. O milagre do Rio Hudson talvez tenha acontecido até mesmo por inúmeros fatores, mesmo em poucos segundos e que tudo poderia ter dado errado. 
Sem nenhum pingo de pretensão, Sully - O Herói do Rio Hudson é apenas uma pequena reconstituição de um grande feito alcançado pelo profissionalismo e pelo desejo de salvar inúmeras vidas a bordo.  
 

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