23 de outubro de 2015

A Pele de Vênus

A Pele de Vênus é uma adaptação da peça escrita por David Ives (co roteirista com Polanski), que por sua vez é inspirada no livro de Leopold Von Sacher-Masoch. Começa com uma câmera em primeira pessoa adentrando um velho teatro de Paris, ou seja, colocando o espectador literalmente dentro daquele ambiente. Em seguida vemos Vanda (a ótima Emmanuelle Seigner, esposa de Polanski) chegar atrasada para uma audição de uma peça homônima ao título do filme e encontrar Thomas (Mathieu Amalric), o diretor estreante da mesma. Ele já está de saída e num primeiro momento recusa-se a assistir ao teste da moça, porém após muita insistência ela acaba conseguindo sua atenção, e com isso os dois acabam entrando em um tipo de jogo masoquista, onde realidade e interpretação confundem-se.
É basicamente isso, sendo somente dois personagens e uma locação ao longo de 96 incríveis minutos, algo que é muito bem parecido visto em O Deus da Carnificina que também pertence ao diretor. Polanski é habilidoso mostrando todo seu domínio sobre a mise-en-scène, definição que engloba o posicionamento do que se encontra em cena, coisa fundamental em qualquer filme, mais ainda quando ele se passa em um teatro. Repleto de humor negro, o roteiro deixa um final aberto a inúmeras interpretações, o que torna a experiência das mais imprevisíveis. Ao extrair as interpretações e dirigir os atores, o diretor contradiz a idade que tem e algo sublime e original. Obviamente os atores têm os seus méritos, mas a mão de Polanski é diz tudo e cria sua própria magia cinematográfica. Ele os guia de maneira perfeita, mostrando sempre como devem se portar e indicando quais sentimentos os personagens trazem consigo em determinados momentos.
A Pele de Vênus não é um filme para qualquer um, mas é de uma maestria enorme em sua realização. Um diretor que transcende sua idade na temática do filme, que sabe como lidar com situações adversas, fazendo tudo isso com extrema elegância, merece ser chamado de um dos gênios do cinema. 
 

20 de outubro de 2015

Star Wars - O Despertar da Força (Trailer Oficial Legendado)


O trailer oficial, foi lançado no intervalo do jogo de futebol americano na noite desta segunda-feira pelo canal ESPN entre Giants e Eagles. 

O trailer com pouco mais de 2 minutos de duração traz um pouco mais de elementos no que os já apresentados nos teaser trailer anteriores. O novo vilão, Kylo Ren, dá uma amostra de sua personalidade, salientando que irá "terminar" o que Darth Vader havia começado... fica a questão de qual será a abordagem: A unificação da galáxia sob a égide dos Sith? Ou o mero extermínio dos Jedi? De qualquer forma em sua fala parece haver profunda admiração por Vader.

O personagem de John Boyega, Finn, também ganha mais referência e é apresentado de fato como o protagonista que aparentemente servia ao império e agora sente o chamado da Força e deverá se tornar um novo Jedi.

O mistério continua quanto à participação de Mark Hamill como Luke Skywalker. Além de não aparecer no poster oficial, ele também não aprece no trailer (pelo menos não o seu rosto). Sabemos que de alguma forma ele será inserido pela narração no teaser trailer 2 e por aparecer sua mão mecânica tocando R2D2.

A expectativa só aumenta pela maior estreia do ano. Curta e compartilhe!


19 de outubro de 2015

DICA DE CINEMA

PONTE DOS ESPIÕES 

22 DE OUTUBRO NOS CINEMAS

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SOBRE O FILME
ESTREIA: 22/10/15
Gênero: Drama
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Tom Hanks, Eve Hewson, Amy Ryan, Alan Alda, Billy Magnussen, Mark Rylance e Mike Houston
Distribuidora: Fox Film
Sinopse: Dirigido por Steven Spielberg, Ponte dos Espiões é um dramático suspense que conta a história de James Donovan (interpretado por Tom Hanks), um advogado de créditos de seguros do Brooklyn que encontra-se no centro da Guerra Fria quando a CIA o envia a uma tarefa quase impossível de negociar: a libertação de um piloto americano capturado.

DICA DE CINEMA

S.O.S MULHERES AO MAR 2

22 DE OUTUBRO NOS CINEMAS

Verifique classificação indicativa.


SOBRE O FILME

S.O.S MULHERES AO MAR 2

Data de estreia: 22/10
Direção: Cris D’Amato
Roteiro: Sylvio Gonçalves e Bruno Garotti com colaboração de Rodrigo Nogueira e Flávia Guimarães
Elenco: Giovanna Antonelli, Reynaldo Gianecchini, Fabíula Nascimento Thalita Carauta, Gil Coelho, Felipe Roque, Felipe Montanari, Rhaisa Batista.

Sinopse: A relação de Adriana (Giovanna Antonelli) e André (Reynaldo Gianecchini) vai de vento em popa, assim como suas carreiras. Adriana vai estrear uma coluna nova em um jornal e André está prestes a lançar sua nova coleção de moda em um cruzeiro pelo Caribe. O romance deles é ameaçado quando Adriana descobre que a bela top model Anitta (Rhaisa Batista), ex-noiva de André, está embarcando no mesmo cruzeiro que ele. A escritora então convoca mais uma vez a irmã Luiza (Fabiula Nascimento) e sua ex-diarista Dialinda (Thalita Carauta), para impedir que André e Anitta se reaproximem. Juntas elas embarcam em uma viagem de carro partindo de Miami para tentar alcançar o navio, antes que ele chegue à sua próxima parada: Cancún.

Trailer

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14 de outubro de 2015

A TRAVESSIA

No dia 28 de dezembro de 1895, os irmãos Auguste e Louis Jean Lumière exibirão no salão indiano do Grand Café de Paris os seus primeiros curtas metragens que eles filmaram através da sua invenção que era o cinematografo. Dentre os curtas, havia uma cena de um trem parando numa estação. A cena vista hoje é simples, mas na época os espectadores simplesmente saiam da cadeira e se escondiam, pois acreditavam que o trem iria atingi-los.
De lá pra cá o cinema evoluiu muito. De curtas passaram para longas; cores foram surgindo; o som foi substituindo o lado mímico do cinema mudo; os efeitos visuais vieram para fazer feitos impossíveis e o 3D surgiu com a possibilidade de entrarmos em um filme. Esse último recurso na realidade surgiu a partir da década de 50, mas foi somente a partir de Avatar em 2009 que ele se fortaleceu e agora em A Travessia ele se encaminhou á um novo patamar em fazer com que o cinéfilo sinta o que o protagonista sente no ápice do filme.
No mais novo filme de Robert Zemeckis (De Volta para o Futuro) acompanhamos a trajetória da vida do francês equilibrista  Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt) que, desde jovem, se equilibra em lugares dos mais inusitados. Certo dia ele descobre que estão sendo construídas imensas torres gêmeas em Nova York (o futuro World Trade Center). Isso faz com que se cria uma obsessão dentro dele de querer se equilibrar em cima de um cabo em meio às enormes torres.
A trama é narrada pelo próprio protagonista durante todo o filme (aonde ele se encontra sempre na estatua da liberdade) e dá a sensação que a história é um verdadeiro conto de fadas moderno, mesmo a gente já sendo informado no princípio que é baseado num caso verídico. Os primeiros minutos são uma beleza a parte, aonde nos é apresentado uma Paris em preto e branco, porém, mais viva do que nunca e o 3D faz somente que sentimos essa sensação num grau mais elevado. Lembrando que estamos prestigiando um filme que foi rodado e pensado em ser apresentado em 3D e não convertido em última hora.
Após apresentação do protagonista, conhecemos gradualmente suas origens, assim como o seu fascínio pelo malabarismo, equilibrismo e os significados que o leva a querer se arriscar a todo o momento. Assim como homens que arriscaram as suas vidas subindo em montanhas como monte Everest, Philippe Petit sempre explica que ele age assim não para morrer, mas sim para viver. Assim como inúmeros gênios, pode-se dizer que Petit foi um de inúmeros incompreendidos e que somente ele sabia com certeza (ou não) o que lhe passava em sua mente para desafiar os seus próprios limites.
Embora chamariz da trama seja o fato dele querer atravessar às torres gêmeas a partir de um cabo de aço a quase meio quilometro de altura, Robert Zemeckis foi inteligente ao retratar a construção desse tal feito. Para isso, conhecemos então as pessoas que ajudaram Petit, como o veterano equilibrista Papa Rudy (Ben Kingsley), a namorada e artista de rua Annie Allix (Charlotte Le Bom), o fotografo Jean-Louis (Clément Sibony) e dentre outros. Cada um deles terá uma função para ajudar o protagonista, transformando o filme num verdadeiro roubo de banco, mas na realidade sem nenhum roubo.
Tudo que antecede o feito do protagonista nos é apresentado e dando uma sensação que estamos assistindo uma espécie de continuação de 11 Homens e um segredo, pois eles não somente têm que driblarem a segurança, como também os trabalhadores que ainda estavam construindo os dois prédios daquela época. Isso acaba gerando inúmeros momentos conflitantes, como quando o protagonista e seu parceiro que tem medo de altura (que ironia) se escondem na beira de um poço de elevador. Passados esses momentos, acabam gerando outros inusitados, como quando certo personagem surge do nada e gerando inúmeras interpretações sobre o seu significado em cena.
Após todos esses preparativos, finalmente chega o momento de tal feito e que realmente aconteceu na manhã do dia 07 de agosto de 1974. Nesse momento, Zemeckis prepara uma espécie de palco, aonde as nuvens seriam as cortinas que, quando abertas, nos brindaria com um grande espetáculo. Não há como negar que o diretor se superou novamente, pois ele criou cenas realistas em que retrata com exatidão como era o alto das torres que, aliadas a um 3D caprichado, nos causa uma sensação de vertigem e um frio na espinha que acontece devido a cada passo que o protagonista dá em cima do cabo.
Na vida real, o feito de Philippe Petit durou aproximadamente 45 minutos, mas retratado no filme foi em torno de 15 minutos. Contudo, isso não desmerece o que é visto na tela, já que esses minutos parecem longos e mesmo quando a gente deseja que não termine, por outro lado, o nosso subconsciente deseja que logo se encerre mesmo a gente sabendo que ele sobreviria após o tal feito. Claro que essa sensação de perigo tudo se dá devido aos pequenos detalhes, desde o cabo ficar balançando quando não deve, ou quando um visitante de penas pousa acima de Petit quando ele está deitado no cabo.
Os minutos finais da trama nos dão o mesmo tipo de sentimento que o protagonista sente de dever cumprido e, ao mesmo tempo, Robert Zemeckis criou um grande feito, do qual a gente tem a sensação de que voltamos no tempo e descobríssemos qual era a sensação daquelas pessoas que estavam assistindo de longe aqueles momentos inusitados de grande proeza e beleza acima das torres. No final das contas, A Travessia vai ainda mais longe, mais precisamente nos fazendo ter uma idéia de como as pessoas do final do século 19 se sentiam ao vislumbrarem com as primeiras cenas de movimento vistas numa tela e nos fazendo nos lembrar que o cinema nasceu como pura arte e espetáculo.  

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