30 de junho de 2015

Exterminador do Futuro: Gênesis (2015)

Exterminador do Futuro: Gênesis concentrou seu marketing em um Arnold Schwarzenegger mais velho, que revive seus momentos de glória em um filme que pode parecer ser nada mais do que um salário. Saindo do cinema tive a ideia de que esse filme não passou disso, grandes atores, altos salários e um super marketing. 

O filme ignora completamente tudo que veio após James Cameron ter deixado a série, enquadrando-se como uma carta de amor para seus dois filmes ao mesmo tempo e usando-os como ponto de partida para um novo elenco e mitologia completamente refeitos.

O diretor Alan Taylor meticulosamente recria sequências do filme original, a semelhança é estranha, mas nesse momento do filme, Gênesis, começa a se desviar do filme original, adotando o tom dos filmes PG-13 que permeiam todas as grandes produções nos dias de hoje. Em Jurassic World, por exemplo, vemos um tipo semelhante de nostalgia criativa que deu certo no momento em que algumas sequências são colocadas cuidadosamente para construir um sentimento de reverência para o filme original. Em Exterminador do Futuro: Gênesis, de certa forma, isso vai bem até metade do filme; neste momento as reverências aos filmes originais dão uma acalmada e o filme começa a ficar mais genérico e novelesco.
A direção de Taylor é polida e suas cenas de ação junto aos efeitos práticos seguram o filme, principalmente as sequências de guerra que se passam no futuro que, em particular, são fantásticas. Personagens gerados por computador, incluindo o T-1000, ironicamente, acabam sendo um obstáculo, mas de certa forma convencem e não estragam o filme. 
A ideia dos roteiristas de mergulhar de volta para o filme original é verdadeiramente muito boa, mas da metade para o final o filme começa a ficar confuso e bagunçar a linha do tempo de um modo insuportável. Os atores estão realmente bons, principalmente o trabalho de criar uma versão de Sarah Connor “Badass” e com uma ação bem mais presente, de uma forma que não vimos Emilia Clarke demonstrar nem em Game of Thrones. O único ator que não convence é o bom e velho Schwarzenegger que tem como melhor atuação a dublagem do seu modelo T-800 de 1984, feito em computação gráfica. No final, apesar de tudo, do esforço da equipe, do marketing, dos grandes atores, o filme se transforma em pessoas correndo em torno de um edifício tentando explodir alguma coisa com o mundo inteiro, supostamente em jogo. Mesmo depois de toda uma conversa sobre destino e explicações ao público sobre a linha do templo complexa que eles mesmos criaram, é quase impossível escapar do clichê de que todos os filmes da franquia Exterminador do Futuro devem acabar exatamente com o destino do mundo em jogo, uma máquina nova e mais moderna como vilão e as mesmas sequências climáticas com personagens fazendo os mesmos sacrifícios.
No final, Exterminador do Futuro: Gênesis mira em efeitos práticos, grandes atores, nostalgia ao relembrar cenas e falas dos filmes clássicos, mas termina com uma linha do tempo confusa, clichês, um roteiro extremamente novelesco, que não acrescenta em nada à franquia original e que erra ao tentar criar algo novo, tornando-se assim, algo desnecessário.


28 de junho de 2015

INDICAÇÃO

O EXTERMINADOR DO FUTURO: GÊNESIS
02 DE JULHO NOS CINEMAS

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SOBRE O FILME:
O EXTERMINADOR DO FUTURO: GÊNESIS
Direção: Alan Taylor
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Emilia Clarke, Jai Courtney
Produção: Bill Carraro, David Ellison, Megan Ellison, Dana Goldberg, Laeta Kalogridis, Patrick Lussier, Paul Schwake
Sinopse: Quando John Connor (Jason Clarke), líder da resistência humana, envia o Sargento Kyle Reese (Jai Courtney) de volta para 1984 para proteger Sarah Connor (Emilia Clarke) e salvaguardar o futuro, uma mudança inesperada nos acontecimentos cria uma linha do tempo fragmentada. Agora, o Sargento Reese se encontra em uma nova e desconhecida versão do passado, onde ele encontra aliados improváveis, incluindo o Guardião (Arnold Schwarzenegger), novos e perigosos inimigos e uma missão nova e inesperada: redefinir o futuro…

26 de junho de 2015

DICA DE DOCUMENTÁRIO: TYSON (2008)

Para quem gosta de histórias reais, sobre transformação pessoal, recomendo que busque assistir o documentário Tyson, de 2008. 

Narrado pelo próprio lutador, ex-campeão mundial de boxe, Myke Tyson, o documentário mistura cenas de entrevistas feitas com ele ao longo de sua vida, de suas lutas e o assédio público em sua vida particular. Um filme intimista em que Tyson fala abertamente sobre sua vida: dos crimes durante a infância, o reformatório, a ferocidade que o levou a lutar, o carinho por seu treinador, suas ex-esposas e relacionamentos extraconjugais, sua tatuagem no rosto e sua aposentadoria no esporte. Um documentário de poucos efeitos, cru, sem frescura, muito bem dirigido por James Toback (do clássico “Rei da Paquera”, de 1987).

Quem conhece pouco sobre a vida de Tyson, poderá se surpreender, principalmente em ver um lutador conhecido pela selvageria em suas lutas, falando de maneira calma, muito emocionado e relatando a sua busca constante por ser alguém melhor, alguém de bem; uma busca incessante por reforma íntima. No início do documentário ele começa questionando “quem sou eu?” e, durante a projeção, ele relata linearmente a trajetória de sua vida e encerra contando sobre sua aposentadoria, a falta de amor pelo esporte, o fim da ferocidade que o levou a lutar de maneira tão selvagem a ponto de morder o adversário (Evander Holyfield) e todos os dramas vividos pelo crime e pelo abuso de drogas. Senti falta apenas dele falar sobre suas poesias, seu hobby atual.
Na época de lançamento, poucos cinemas no Brasil abriram as portas. Hoje, é um dos destaques do Netflix e encontramos também dividido em 8 partes (a 4 está perdida) no Youtube (assista abaixo). Indispensável para quem já se interessou pelo boxe como esporte, mas principalmente pela história de alguém ciente dos abusos que cometeu e que ainda assim, insiste em tentar ser melhor para si e para os outros.

Até a próxima!


24 de junho de 2015

Divertida Mente (Inside Out, 2015)

Você está triste, mas se contém para não chorar. Porém, um ente querido seu se aproxima e lhe pede para colocar para fora a dor que está sentindo. Quando você faz isso não se sente melhor?

Todo o ser humano que se preze com certeza já passou por essa situação que, embora incomode, ela é essencial perante aos obstáculos e o amadurecimento durante o percurso da vida. As pessoas não mudam, mas o mundo em nossa volta sim e, a cada momento, surgem novos desafios para encará-los de frente, sem jamais desprezar o que está realmente sentindo durante esse percurso. No mais novo filme da Pixar, Divertida Mente nos ensina a jamais travar os nossos sentimentos, pois são eles que nos fazem ser realmente humanos.

Dirigido por Pete Docte (Up: Altas Aventuras) acompanhamos o dia a dia de Alegria, Medo, Raiva, Repulsa e Tristeza, cujo trabalho desse grupo colorido é administrar da melhor maneira possível os sentimentos da menina Riley durante a sua vida. Porém, algo dá errado, e Alegria e tristeza acabam saindo da sala de controle e gerando conflitos internos na menina, dos quais Medo, Raiva e Repulsa não conseguem administrar.

Sim, a trama toda se passa no subconsciente da menina, sendo que os personagens e o universo criado ali pelos produtores são tudo de uma forma abstrata, mas de uma forma tão viva e inovadora que a gente se deleita com tudo que aparece na tela. Mas embora inovador, é de se tirar o chapéu para os roteiristas Pete Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley ao fazer com que aquele universo que se passa na cabeça da menina soe familiar e que remetesse à nossa infância. Afinal, quem aqui durante a infância, não imaginou alguma vez que a nossa mente fosse administrada mais ou menos de forma parecida vista na tela? Pelo menos em algum momento da minha infância eu imaginava, tornando então essa sessão muito mais nostálgica!

Cada parte daquele universo tem um significado, desde memórias guardadas, medos escondidos, a forma como o sonho é criado (no momento mais hilário do filme) e o fundo do esquecimento, onde infelizmente algumas lembranças são esquecidas. Nessa jornada para voltar à sala de controle, Alegria e Tristeza não somente conhecem mais aquele lugar aonde vivem como também aprendem cada vez mais o real papel de cada uma que precisa exercer na vida de Riley. Alegria não esconde o seu amor que sente pela menina (num momento extremamente tocante), mas precisará compreender que a dor, por vezes, é necessária e faz com que os momentos de felicidade se tornem ainda mais especiais quando eles acontecem.
A partir daí, a união de Alegria e Tristeza que, antes aparentava rivalidade, se torna essencial para que Riley possa encarar as mudanças que estão acontecendo em sua vida. A felicidade é boa, mas ela não faz nenhum sentido sem os momentos ruins. É aí que o estúdio ousa de uma forma bonita, já que isso nada mais é do que uma critica (indireta) à indústria de antidepressivos e remédios do tipo, que tentam retrair as emoções para que a vida seja mais “controlável”. Cair em lágrimas, como o filme tão bem mostra, às vezes é necessário.

Aplaudido em pé no ultimo festival de Cannes, Divertida Mente é desde já um dos filmes mais criativos e originais dos últimos anos do estúdio. Fazendo com que a gente não somente respeite os bons momentos de nossas vidas, como também as nossas próprias tristezas, que dão lugar a momentos melhores ainda.

23 de junho de 2015

Últimas Conversas

Em seu ultimo filme como cineasta, Eduardo Coutinho se sente cansado, mas ao mesmo tempo disposto a continuar filmando, pois como ele mesmo disse no início da obra: “o que mais eu poderia fazer na vida”?
A sensação que se dá é que, embora não prevendo o futuro, ele se sentia que estava em sua reta final, mas antes de guardar as suas ferramentas de trabalho, decide então fazer uma entrevista com jovens brasileiros de hoje. Nas entrevistas assistimos depoimentos que contem de tudo um pouco, desde as vidas mais simples, ou até mesmo as mais sofridas e ferrenhas.
Diferente do que se vê em certos filmes que, tentam reconstituir o que é o jovem brasileiro, vemos aqui pessoas reais, falando de tudo, desde os seus sonhos, dores familiares e certa carga de incerteza com relação ao futuro de cada um. Embora com mais de oitenta anos, Coutinho deixa a vontade os jovens para entrevista, pois embora não conheça a cultura ou até mesmo os costumes dessa geração de hoje, demonstrou total sensibilidade e ao mesmo tempo curiosidade para compreender o do porque da moda deles, o que eles ouvem de música e do porque de certas profissões que eles escolheram para estudar mais pra frente. As entrevistas começam a ficar tão boas, que nos identificamos facilmente com aqueles jovens, pois cada passagem de suas vidas, por vezes, soa que familiares para nós, para não dizer idênticas.
E quando a gente achava que ele somente chamou jovens de classe média para as entrevistas, eis que ele deixa uma menina chamada Luiza, de apenas seis anos e de classe média alta para o final. Talvez ela não tenha sido ultima a ser entrevistada, mas as suas palavras selam o filme de uma forma maravilhosa. Ambos travam um diálogo filosófico e teológico, encerrado com a frase dela: “O Homem que morreu, a gente chama de Deus”.
E então rindo, Coutinho pede ao assistente para abrir a porta e ela se caminhar para a saída em contra-luz, como se fosse levada pela eternidade. Um encerramento brilhante, mas que, após essas entrevistas, daríamos tudo para voltarmos no tempo e termos uma tarde de conversas descompromissadas com o nosso inesquecível cineasta.

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