31 de janeiro de 2014

Escolhidos atores que interpretarão Alfred Pennyworth e Lex Luthor na sequência de Homem de Aço

Durante meses os fãs de todo o mundo têm especulado quem poderia ser escalado como o vilão Lex Luthor no filme Superman / Batman de Zack Snyder. Hoje, eles descobriram quem irá interpretar o papel igualmente importante de Alfred Pennyworth , o mordomo fiel de Bruce Wayne.
Jesse Eisenberg, a estrela de Truque de Mestre, Zombieland e A Rede Social vai encarnar Luthor. Sobre o caráter e a escolha de elenco, o diretor Zack Snyder disse: "Lex Luthor é, muitas vezes, considerado o mais notório dos rivais de Superman. Sua péssima reputação precede-o desde 1940. O que é interessante sobre Lex é que ele existe para além dos limites do malvado vilão estereotipado. Ele é um personagem complexo e sofisticado, cuja inteligência, riqueza e posição social o colocam como um dos poucos mortais capazes de desafiar o incrível poder do Super-Homem. Ter Jesse no papel nos permite explorar essa dinâmica interessante, e também levar o personagem em algumas direções novas e inesperadas . "
Enquanto isso, Jeremy Irons foi escalado como Alfred Pennyworth, dando continuidade ao legado recente de lançar vencedores do Oscar no papel. Sobre Alfred, Snyder disse: "Como todos sabem, Alfred é o amigo de Bruce Wayne mais confiável, seu aliado e mentor, um tutor e uma nobre figura paterna. Ele é um elemento absolutamente crítico na infraestrutura complexa que permite que Bruce Wayne se transformar em Batman. É uma honra ter um ator tão incrivelmente experiente e talentoso como Jeremy assumindo o importante papel do homem que orienta e guia a fachada guardada e quase impermeável que encapsula Bruce Wayne."

Fonte: DC Comics

Hannah Arendt - Ideias Que Chocaram o Mundo (2012)

Aliando-se mais uma vez a Barbara Sukowa, que havia atuado em filmes como "Rosa Luxemburgo" (86) e "Os Anos de Chumbo" (81), a cineasta Margarethe Von Trotta entrega-se ao desafio de retratar uma das pensadoras políticas mais importantes e influentes do século passado, autora do livro  "As Origens do Totalitarismo". Ignorando boa parte da história de sua vida, o filme foca somente num momento crucial da vida de Hannah. Em 1961, a filósofa alemã, já radicada nos EUA, viaja à Israel para acompanhar um dos julgamentos mais bombásticos de todos os tempos, do carrasco nazista Adolf Eichmann, capturado pelo serviço secreto israelense na Argentina.

Mais do que um filme baseado em fatos reais, os criadores buscaram também inspiração numa peça norte-americana, sendo que, em alguns momentos, a trama poderia facilmente se passar num único cenário. O roteiro se concentra no lado mais humano de sua protagonista, sem banalizar seu pensamento e tão pouco inventando algo novo com relação ao que aconteceu. Hannah é vista discutindo com os seus amigos intelectuais, em seu apartamento, em que, ao lado de temas polêmicos, nunca faltavam piadas, nem bebida ou cigarros.

O filme se concentra em dois pontos: primeiro, na atuação de Hannah, ao cobrir o julgamento de Eichmann para a revista "The New Yorker", que lhe permitiu criar uma das teses mais polêmicas de sua carreira, sobre a "banalidade do mal". O segundo, menos abordado no filme, lembra seu relacionamento com o mestre e ex-amante Martin Heidegger (Klaus Pohl), filósofo que, na realidade, havia filiado ela ao Partido Nazista em 1933 e nunca se retratou, ou tão pouco se defendeu de sua atitude após o fim da Segunda Guerra Mundial, para o desgosto de Hannah, que era judia alemã e fugiu do país natal após a ascensão de Hitler ao poder. Enxergando Eichmann apenas como um cumpridor cego de ordens, Hannah atraiu a fúria dos próprios amigos e dos círculos judaicos. Muitos nunca a perdoaram pela ousadia.

Para eles, ela estaria "defendendo" os carrascos, o que sempre negou. Nada disso abalou a filósofa, que publicou seus artigos em "The New Yorker", onde também sofreu pressões e, dois anos depois, um livro que teve grande repercussão, "Eichmann em Jerusalém". Segundo os registros, vendeu na época mais de 100 mil exemplares e, ao longo dos anos, serviu como ferramenta para que jovens alemães contestassem seus pais, por terem conhecimento dos desmandos nazistas e se omitirem, e também em revoltas contra a guerra do Vietnã e o uso da energia atômica.
O filme intensifica a coragem de Hannah que se defendeu de frente até o fim. Apoiada por amigos como a escritora Mary McCarthy (magnífica Janet McTeer, de Albert Nobbs), resistiu, mantendo sua independência de pensamento, ainda que a um alto custo. Os ataques sofridos, para ela, equivaleram a um "novo exílio", como salientou a diretora Margarethe Von Trotta em entrevista ao jornal "The New York Times".

Procurando não tomar partido da tese defendida por Hannah nos artigos e livro sobre Eichmann, o filme sem dúvida abraça a integridade pessoal e intelectual de sua fascinante protagonista. Com uma bela reconstituição de época e uma belíssima fotografia com tons pastel, o filme nos permite participar de uma envolvente discussão de idéias e que, certamente, pode despertar uma curiosidade sobre as obras da autora.


28 de janeiro de 2014

ÁLBUM DE FAMÍLIA (August: Osage County, 2013)

Os filhos são castigados pelos pecados dos pais? Essa era a pergunta que me soava na cabeça após a sessão de Álbum de Família, que é o tipo de filme que provoca inúmeras emoções e o espectador não tem como não se identificar com a situação de cada um dos personagens. Dizem que não se fazem mais famílias como antigamente, mas acredito que os problemas corriqueiros da família contemporânea não são muito diferentes dos problemas de outras de décadas atrás, que, por vezes, eram bem piores. Tudo depende da criação de cada pessoa que, por sua vez, irá criar a sua família, de acordo como ela foi criada.

Dirigido por John Wells (Não estou lá), o roteiro foi criado por Tracy Letts, responsável também pela criação da peça em que o filme se baseou, o que faz com em alguns momentos a gente consiga sentir o lado teatral da história. Mas, diferente de filmes recentes como o Deus da Carnificina, a trama se desloca fora do cenário principal, mas, a meu ver, a trama funcionaria muito bem num único local. O cenário pouco importa, mas sim os seus personagens estupendos, interpretados, cada um deles, por astros no ápice de suas interpretações.

Após o sumiço do marido Beverly (Sam Shepard), Violet (Maryl Streep) recorre às filhas (Roberts, Nicholson e Juliette Lewis), à irmã (Martindale) e ao cunhado (Chris Cooper). Viciada em remédios e com um câncer na boca, a matriarca passa anos-luz de ser uma pessoa amável com suas filhas, atacando verbalmente sem dó elas, principalmente Barbara, vivida por Roberts. A filha se mudou da cidade há vários anos e passou um bom tempo sem visitar os pais. Agora, ela volta para casa na companhia do ex-marido (McGregor) e da filha (Abigail Breslin).

Não é segredo para ninguém que, em meio a esse grande elenco, quem rouba a cena novamente é Meryl Streep: dona de uma presença magnética, a atriz surge em cena com a sua personagem, nos primeiros minutos de projeção e já da uma dica do que irá acontecer no decorrer do filme. Envelhecida, esfarrapada, enfraquecida, mas com uma língua afiada, capaz de destroçar o coração mais duro à sua frente. Sua atuação  transmite para o cinéfilo, todas as cicatrizes verbais, emocionais e físicas que a personagem passou ao longo da vida e, mesmo ela magoando a todos em sua volta, nós compreendemos ela ser assim e ter chegado aonde chegou. Dificilmente a atriz não receberia a sua décima oitava indicação ao Oscar.
Com um elenco de quilate, formado tanto por nomes conhecidos como, Julia Roberts, Ewan McGregor, Chris Cooper, Juliette Lewis, Benedict Cumberbatch, como também nomes menos conhecidos (mas talentosos) como Julianne Nicholson, Margo Martindale e Misty Upham, todos eles tem o seu tempo de participação em destaque no filme, principalmente Cumbergatch. Embora sua participação seja pequena, não deixa de ser tocante, principalmente numa cena onde ele toca um piano. Como os problemas familiares são o foco principal da trama, todos os protagonistas se reúnem numa cena chave (um jantar), em que cada um, principalmente a personagem de Streep, deixa a máscara cair e revelar a verdadeira face dessa família. Essa cena é disparada o melhor momento, onde cada um fica com os nervos à flor da pele e Julia Roberts apresenta aqui o melhor desempenho de sua carreira, sendo algo que não se via desde Closer: Perto Demais

Com uma trama que envolve alcoolismo, suicídio, câncer, dependência química, adultério, pedofilia, divórcio e incesto, Álbum de Família possui uma alta dose de humor negro, dramático e emocional, capaz de fazer com que cada um que saia da sessão, acabe caindo numa verdadeira dose de reflexão interna e espiritual.


27 de janeiro de 2014

O RIO NOS PERTENCE (2013)

Nos primeiros momentos de projeção, a protagonista interpretada por Leandra Leal está relaxada ao lado do namorado, falando inglês (não espere explicação por isso) e se esquecendo por completo do mundo lá fora. Contudo, um cartão postal que ela recebe, faz com que vá de encontro com o passado para rever assuntos não resolvidos, tanto com sua família, como também de antigos amores. A partir daí, somos levados juntos numa realidade familiar, mas pouco convencional aqui.

Escrito e dirigido por Ricardo Pretti (de Estrada para Ythaca, 2010, e No Lugar Errado, 2011), O Rio nos Pertence por vezes lembra Nina de Heitor Dhalia, onde ambos os filmes possuem uma realidade filtrada, que faz parecer que determinados ambientes que conhecemos, acabam por ser apresentados de uma forma jamais vista. É como se aquela visão sempre estevisse lá, mas nunca nos demos conta, ou faz entender que há duas realidades, mas que nunca dão espaço uma para outra e somente nós, num determinado momento da vida, é que nos damos conta disso.

Entretanto, diferente de Nina, a questão não é o fato de a protagonista estar vendo coisas, mas talvez não se dando conta de onde realmente está. Numa das melhores cenas do filme (que me lembrou O Som ao Redor), a protagonista começa a rasgar uma parede que, por sua vez, se mostra ser uma grande janela que dá de encontro com a paisagem carioca. Mas o visual é sombrio, para não dizer melancólico e faz com que a protagonista grite por alguém, mas sem ser respondida.

Gritos e escuridão é que fazem também o clima da produção se tornar bem estranho, beirando até mesmo um clima de terror clássico, mas muito distante daqueles vistos no cinema americano. Na realidade, o filme de Pretti está mais para A Hora do Lobo de Ingmar Bergman, onde só faltou mesmo a protagonista dialogar com a gente. Em vez disso, ela se encontra com um amor antigo chamado Mauro e com sua irmã vivida com maestria por Mariana Ximenes, onde ambas se digladiam numa conversa reveladora e que dá uma dica (ou não) do que está acontecendo na tela.
É uma obra que poderia ser filmada da forma mais simples, mas o cineasta preferiu ir contra a maré e apresentar uma obra mais experimental, que fizesse com que a gente tirasse inúmeras interpretações do que estamos vendo realmente. Podemos até mesmo ir para um caminho fácil sobre a verdadeira natureza da jornada da protagonista, mas seria óbvio demais, então o diretor nos joga outros inúmeros detalhes para fazermos uma teia de teorias sobre inúmeros significados das sequências apresentadas. Fora o momento da janela já citada, não há como ignorar a enigmática cena da praia, onde a personagem dá a entender que está sendo puxada contra a sua vontade por algo, mas não se importando muito com isso. 

Assim como o já cultuado Doce Amianto, este é mais um de muitos filmes experimentais brasileiros que vieram para ficar. Mesmo indo contra a onda de comédias que assolam nossos cinemas, são obras, como essa de Pretti, que fazem com que a trama continue em nossas mentes e nos convencendo a dar mais uma conferida na sala escura.


24 de janeiro de 2014

UM FINAL DE SEMANA EM HYDE PARK (Hyde Park on Hudson, 2012)

Houve certo erro na tradução desse filme quando veio para cá: a trama não se passa no parque de Londres, mas sim nos Estados Unidos, na casa de campo do então presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt (Bill Murray, ótimo como sempre). A história se passa em um fim de semana de 1939 (início da II Guerra Mundial) quando o presidente recebe uma visita ilustre do Rei George VI (o mesmo rei gago de “O Discurso do Rei”, aqui interpretado com eficiência por Samuel West) e da Rainha Elizabeth (Olivia Colman, numa interpretação aquém do esperado), buscando aliados para enfrentar o exército alemão. Ao mesmo tempo, Franklin Roosevelt, que, quando não está na capital americana comandando, mora com uma mãe meio desequilibrada, vive um romance (?) com sua prima, Margaret Stuckley (Laura Linney, ótima no papel).

O diretor Roger Michell quis dar a mesma importância para ambas as tramas, mas o resultado ficou abaixo do esperado e muita coisa poderia ser mais explorada, se não fosse a sua curta duração. Na realidade, o filme se envereda mais para uma comédia sobre os costumes norte-americanos, que por vezes choca a realeza inglesa, e rende alguns bons momentos (a passagem sobre o cachorro-quente é hilária). O problema é que o filme se sustenta como drama romântico e fica devendo por não saber explorar direito os momentos certos.

Baseado em cartas escritas por Margaret e encontradas embaixo de seu colchão após sua morte, aos 100 anos, Um Final de Semana em Hyde Park poderia ir muito mais além do que foi apresentado, mas vale mais para assistir ao Bill Murray interpretando um presidente histórico, num desempenho muito melhor, mais leve e solto, do que aquele visto por Daniel Day-Lewis como Lincoln.


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