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29 de maio de 2019

Rocketman

Do diretor Dexter Fletcher, o filme Rocketman tinha a responsabilidade e o desafio de mostrar a trajetória do artista Reginald Dwight, mais conhecido como Elton John, e condensar em um único longa de duas horas uma carreira de muita música, exageros e surrealidades.


Antes de qualquer análise, um “elefante” deve ser tirado da sala. Apesar das diferenças, em termos de produção e roteiro, as comparações com Bohemian Rhapsody (2018), filme que mostra a trajetória de Freddie Mercury e a banda Queen, são inevitáveis. Fletcher foi o diretor chamado para dar fim a produção de Rhapsody que teve início com o diretor Bryan Singer, este que foi demitido em decorrência de diversas polêmicas.

Tendo isso em mente é necessário dizer que Rocketman, apesar de bem diferente, é sim superior a Bohemian Rhapsody. A principal característica que faz este filme melhor é a valorização das músicas já consagradas de Elton John. Elas são inseridas de forma orgânica na trama e servem como cola que liga um momento a outro, apresentando ao expectador um verdadeiro espetáculo. Já o roteiro também é um ponto alto, baseado principalmente em uma desconstrução de personalidade e de reencontro com a mesma.

Um destaque ainda é o fato de que o filme se mostra mais sincero e corajoso que Bohemian Rhapsody ao tratar de forma mais clara a homossexualidade e os problemas junto a uma sociedade conservadora que cercam a orientação de Elton John. O filme não se mostra em nenhum momento cauteloso ao tratar do assunto e assume com todas as palavras e de forma visual essa característica do artista.

Um conto de Sir Elton John


O filme tem início com a apresentação de três vícios que o artista vai ter de lidar ao descobrir o preço do sucesso. São eles sexo, drogas e bebida. A partir daí tem início uma trajetória que vai de um menino que utiliza a música como forma de se distrair da ausência do pai, até um artista que ao perceber a fama começa a se aproveitar disso com exageros que levam à sua ruína emocional.

Sendo um espetáculo, o filme não economiza na suspensão da realidade para apresentar essa trajetória. Em alguns momentos personagens começam a levitar durante alguma canção e você aceita porque o filme passa essa ideia de psicodelia, afinal, não faria nem sentido eles cantarem de forma aleatória por aí, mas é um musical, toda cena cantada é um pequeno show e é tão bem feito e orgânico que se torna aceitável.

Mesmo assim, o filme se perde um pouco ao chegar em seu momento dramático. O ator Taron Egerton, que vive Elton John, entrega sua melhor atuação, com desenvoltura e dramaticidade necessária, o problema é a necessidade de se estender essa dramaticidade mais do que preciso. Com duas horas de duração o momento alto do filme em que o cantor Elton John começa a experimentar as consequências de seus três exageros mostrados inicialmente na trama é esticado mais que o necessário, deixando o momento um pouco cansativo.

Algumas cenas, apesar de mostrar momentos icônicos da carreira do artista, são curtas e por isso parecem descartáveis. Como o casamento de Elton John com Renate Blauel, interpretada pela atriz Celinde Schoenmaker, que apesar de ser um momento icônico da carreira do cantor, se perdeu dentro da trama. Apesar destes enchimentos, há um certo alivio no ápice da trama, quando a música que dá nome ao filme, Rocketman, é apresentada, mostrando o espetáculo que de fato o filme consegue entregar, mesmo em uma hora tão pesada da trama, apresentando também a desenvoltura física de Taron Egerton dedicada para realização das coreografias.

O Show deve continuar


Assim, é importante destacar que este filme deve ser visto no cinema. Rocketman faz questão de trazer o telespectador para dentro de um grande clipe musical e não há nenhum problema nisso. Afinal, mesmo se você não está familiarizado com a carreira de Elton John ou com suas músicas, pelo menos vai estar curtindo um grande show visual, muito bem construído para atrair um público que quer relaxar e curtir o momento.  



Confira ainda a collab realizada com o pessoal do Feededigno logo após a cabine de imprensa onde pontuamos nossas primeiras impressões sobre o filme em vídeo:

10 de março de 2015

Kingsman: Serviço Secreto (2014)

Mathew Vaughn é o tipo de diretor que, ao impressionar na primeira obra, ganha carta branca para fazer o que bem entender nos filmes seguintes. Se ele havia impressionado com o humor negro, critico, cartunesco e violento em Kick-Ass, ele injetou novo frescor e originalidade na franquia X-Men no filme Primeira Classe. Mais do que uma nova adaptação de uma HQ, Kingsman: Serviço Secreto é uma divertida, crítica e violenta homenagem aos filmes de espionagem de antigamente, mas que, ao mesmo tempo, não se esquece de que forma são feitos os espiões de hoje da ficção como, por exemplo, o agente da trilogia Bourne.

A história é simples: o veterano agente Harry (Colin Firth) de uma organização super secreta inglesa, decide treinar um rapaz Eggy (Taron Egerton) que era filho de um colega seu já falecido, para que ambos enfrentem um megalomaníaco multimilionário (Samuel L. Jackson), dono de uma empresa de informática que, decide eliminar boa parte da humanidade para salvar a terra. Até ai a trama não parece nada original, mas é a mão do diretor que faz toda a diferença.

Pode-se dizer que Vaughn não está nenhum pouco preocupado com o que irão achar do seu filme, pois é uma obra da qual você não pode levar a sério em nenhum momento, devido ao seu alto grau de inverossimilhança, ou então você leva a sério e simplesmente o risca de sua memória. Porém, fazendo isso, perderá duas horas de pura diversão e entretenimento infalível, do que qual o roteiro não poupa nada e nem ninguém. Só para se ter uma ideia o filme cutuca o fato de que a maioria dos líderes do mundo são comprados facilmente, que as pessoas são verdadeiros zumbis consumistas que, são comprados facilmente por bugigangas da era da informação rápida e sem se preocupar com as suas consequências.

Em meio a isso, nos divertimos com o treinamento de Eggy em que aos poucos se destaca em desafios severos, porém, essenciais para a sua aprovação. É sempre divertido ver momentos em que o agente Harry gradualmente passa o bastão de sucessão para seu aprendiz que, por sua vez, começa a gostar do lado cavaleiro de um agente britânico. Mas, por trás do lado refinado desses agentes, se encontram verdadeiras maquinas mortíferas que não medem esforços para salvar o mundo, nem que para isso custem as cabeças (literalmente) de muitas pessoas importantes. 

Mathew Vaughn não tira o pé do acelerador nos momentos em que a violência simplesmente explode na tela. Vindo com ela, é preciso dar palmas pela coragem ao acrescentar uma dura crítica às igrejas de hoje que, mais parecem indústrias que consomem o dinheiro de fiéis cegos. Só assim para explicar o que acontece dentro de uma igreja batista, em que o protagonista se vê em meio a fiéis, liderados por um pastor que solta pesadas palavras racistas e homofóbicas.

O que vêm em seguida começa com palavras fortes e criticas vindas do protagonista, mas que com certeza todos aqueles que assistem um dia queriam dizer, mas só não falam devido às consequências. O protagonista se vê em meio a um verdadeiro massacre dentro da igreja, onde ele mesmo precisará matar para conseguir sobreviver em meio ao inferno. Usando planos sequências rápidos (aliado com o melhor de efeitos visuais) o diretor cria aqui uma sequência que, com certeza irá gerar polêmicas, elogios e não me surpreenderia em ser apontado como um dos momentos mais corajosos do cinema do ano.

O que se vê depois são os efeitos desse momento e o terceiro ato se torna a velha história de sempre de salvar o mundo, Porém, lá ainda se encontram a violência, câmera movimentada e até mesmo uma pitada de critica com o lado mais irracional do ser humano. Não me surpreenderia se Mathew Vaughn tenha ouvido falar sobre o alto grau de violência de determinadas cidades do mundo. Só dessa forma então para explicar o fato de ele usar justamente a praia do RJ como cenário de uma cena chave, onde com certeza irá puxar risos do público brasileiro, consciente do que realmente acontece no cartão postal carioca na vida real.

Com um final que dá uma dica de uma possível nova franquia, Kingsman: Serviço Secreto é aquele típico filme que não mede papas na língua para criticar, mas ao mesmo tempo de entreter com um humor negro acalorado, mas ao mesmo tempo muito bem vindo.


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