É difícil falar aqui desta obra sem dar "spoiler". A grande questão que fica é: Vingadores: Ultimato é, de fato, o último filme da franquia? Acredito que não. Talvez sim, para a sequência dos filmes "Vingadores", "Thor", "Capitão América" e "Homem de Ferro", mas já há produções prontas, em andamento ou prometidas para outros personagens que permeiam a obra. Guardiões da Galáxia 3 está confirmado (inclusive com a volta de James Gunn à direção), Homem-Aranha: Longe de Casa está pronto, há possibilidade do filme da Viúva Negra (???), Homem-Formiga deve ganhar um último filme e Pantera Negra, pelo sucesso de bilheteria e críticas, deve ganhar mais sequências; isso sem mencionar todas as produções paralelas (spin offs) para TV/Streaming, como as séries já existentes no mesmo Universo: Agente Carter, Agentes da S.H.I.E.L.D, e uma série sobre Gavião Arqueiro é uma possibilidade.
Sobre o filme, vou me ater no que importa, pois sobre detalhes técnicos, é senso comum que as produções da Marvel lideram, de longe, a qualidade em efeitos visuais, sonoros e sensibilidade para trilha sonora. O quero destacar aqui é o sentimento sobre o filme.
Vingadores: Ultimato é mais do que o encerramento de uma saga que começou com filme medíocre Hulk e ganhou o mundo com o primeiro Homem de Ferro; o longa (3h e 1min) metragem é uma homenagem a si mesmo. [ALERTA DE SPOILER] Com a viagem temporal que ocorre no filme, na tentativa de trazer todos de volta, os Vingadores remanescentes visitam momentos e lugares importantes em suas vidas em momentos importantes da saga ou de suas jornadas pessoais. Muitos deles resultam no fechamento de conflitos familiares, pois, acima de tudo, o filme é sobre amizade e família.
De toda a saga é o que tem o tom mais épico, tanto da jornada dos heróis, como na trilha sonora, mas, sobretudo, na batalha final (a la Senhor dos Anéis), com momentos muito especiais como o reencontro e o tão esperado abraço entre Tony Stark e seu protegido Peter Parker, o Capitão América sendo capaz de empunhar o Martelo de Thor (antes só o Visão tinha conseguido) e um momento exclusivo do empoderamento feminino em uma cena de ação só com as super-heroínas do filme, além do grande momento de chegada (e pequena participação) da Capitã Marvel. Um aviso: o maior Herói, o principal da saga e do filme, segue sendo o Homem de Ferro.
Uma obra emocionante de uma geração de atores que deixará saudade para muita gente.
Ah! E uma informação importante, o filme não tem cena pós-crédito. Segundo os diretores, não faria sentido se chamar "Ultimato" se tivesse uma brecha para outros filmes.
Quando um gênero cinematográfico é usado à exaustão pelo cinema americano para gerar lucro, ou ele se desgasta como um todo, ou ele se encaminha para renovação e para então continuar existindo. Filmes como Cavaleiro das Trevas e Logan, são exemplos de tramas maduras que elevam o papel do herói para um novo patamar e são obras feitas com os dois pés no chão em nossa própria realidade. Pode-se dizer que Pantera Negra é o mais novo capítulo desse amadurecimento dentro do gênero, fazendo algo que nenhuma outra adaptação havia feito: consegue a proeza de fazer com que os cinéfilos saiam das salas de cinema debatendo.
Dirigido por Ryan Coogler (Creed), o filme se passa logo após os eventos vistos em Capitão América: Guerra Civil, onde o rei do país africano Wakanda havia sido morto em um atentado. Seu filho T'Challa (Chadwick Boseman) assume a missão de ser, não somente o rei do país, como também assumir o manto do Pantera Negra. Porém, ele precisa capturar Ulysses Kalue (Andy Serkis), único homem que roubou um pouco do bem mais precioso do país, o raríssimo metal Vibranium, mas ao mesmo tempo, surge das sombras Erik Killmonger (Michael B Jordan), que deseja o trono de Wakanda a qualquer custo e traz consigo revelações surpreendentes.
Mais do que uma típica nova adaptação de HQ, Pantera Negra, nos mostra o que aconteceria se num país da África, como a fictícia Wakanda, não tivesse sido tocada pelos exploradores do passado e conseguisse prosperar de forma independente e separada do resto mundo. Graças ao Vibranium, Wakanda é um mundo rico em termos de tecnologia, ao mesmo tempo que preserva velhas tradições de inúmeras tribos que se encontram nela. Não há como deixar de se emocionar quando o protagonista se encaminha para a grande cachoeira, onde terá que passar pelo desafio para provar ser digno e testemunhar toda a cultura do seu povo reunida numa cena que nos enche os olhos.
Mas pelo fato de Wakanda ser fechada do resto do mundo, o filme toca em assuntos espinhosos, que vão desde aos muros que ainda se levantam contra os outros povos em pleno século 21, como também sobre qual é o papel de um governo com relação em ajudar ou não outros povos que nem sequer possuem mais as suas terras. Motivos para que Wakanda se feche do mundo não faltam, principalmente pelo fato de inúmeras pessoas terem sido exploradas, escravizadas e mortas no continente Africano. Mas a questão não é esquecer o passado, mas sim saber perdoar, compartilhar o que tem de melhor a oferecer e prevalecer à união entre os povos para então continuarem existindo.
Em tempos nebulosos, onde um governo norte americano é governado por um racista como Donald Trump, Pantera Negra vem para nos dizer o quão mal é esse retrocesso do qual o mundo de hoje está passando. Sendo assim, não há aqui somente a típica história entre o bem e o mal, até porque as motivações do vilão Erik Killmonger (Michael B Jordan) são muito mais profundas do que se imagina e faz a gente compreender do começo ao fim as motivações que o levaram para um caminho sem volta. Criticada sempre por não apresentar um grande vilão de peso, a Marvel finalmente faz as pazes com o passado e nos brinda com um personagem inesquecível e do qual até mesmo simpatizamos.
Mas como estamos falando de um filme da Marvel, momentos de ação, humor e efeitos visuais é o que também não faltam. Embora ainda seja novato na elaboração de cenas ação, Ryan Coogler se empenhou para não ficar no meio do caminho e criou até mesmo cenas imprevisíveis e criativas: a cena em plano sequência que acontece na Coreia do Sul é digna de nota.
Chadwick Boseman se sai bem como Pantera Negra, pois ele carrega tanto um bom porte físico apropriado, como também uma carga dramática interna que ainda pode ser ainda mais explorada. Mas da ala dos heróis, quem rouba as cenas são as mulheres guerreiras de Wakanda, onde a paixão do herói Nakia (Lupita Nyong) e a chefe da guarda do reino Okoye (Danai Gurira) dão um verdadeiro show de lutas e acrobacias surpreendentes. Letitia Wright, que faz a irmã do protagonista, além dela ser um gênio da tecnologia de Wakanda, ela se destaca principalmente em momentos em que nos lembra situações dignas de um filme de 007.
Infelizmente nem tudo é 100% perfeito, já que a Marvel ainda teima em usar a sua fórmula já desgastada em criar piadas em momentos inadequados, principalmente no ato final do filme do qual se deve enveredar para um lado mais dramático. Felizmente isso não compromete o resultado positivo, principalmente com relação ao duelo final entre o herói e vilão, onde ambos se dão conta que sempre possuíram algo em comum, mas que foi devido aos erros do passado vindos dos seus pais que fizeram tomar caminhos opostos. Um conflito final que termina de uma forma emocional e muito bem resolvida.
Com um discurso final que dá um verdadeiro tapa na cara contra Donald Trump, Pantera Negra é um legitimo exemplo positivo de uma adaptação de HQ a ser seguido, onde se comprova que ainda precisamos muito evoluir, para que só assim todos os povos do mundo possam sobreviver.
Com o título “Jurassic World: O Reino Está Ameaçado”, longa chega aos cinemas brasileiros em 21 de junho de 2018
A Universal Pictures acaba de divulgar o título nacional da sequência de “Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros”, uma das bilheterias mais expressivas de 2015, com mais de R$ 90 milhões em renda apenas no Brasil. “Jurassic World – O Reino Está Ameaçado” (Jurassic World: Fallen Kingdom) chega aos cinemas brasileiros em 21 de junho de 2018.
A nova produção, que contará com direção de J.A. Bayona, de “O Impossível”, traz de volta toda a nostalgia, aventura e emoção de uma das franquias mais populares e queridas do cinema. No filme, Chris Pratt e Bryce Dallas Howard voltam ao elenco ao lado de James Cromwell, Ted Levine, Justice Smith, Geraldine Chaplin, Daniella Pineda, Toby Jones, Rafe Spall, e dos já conhecidos da série BD Wong e Jeff Goldblum.
O filme é uma distribuição da Universal Pictures, em parceria com a Amblin Entertainment, e traz Steven Spielberg e Colin Trevorrow como produtores executivos.
Quem é cinéfilo de carteirinha vai se lembrar que essa não é a primeira tentativa recente do estúdio Universal em trazer os seus monstros clássicos de volta para o cinema e conseguir, a partir deles, criar um universo expandido. Isso já foi tentando em 'Drácula - A História Nunca Contada', mas que, devido a péssimas ideias e má direção, as possibilidades foram para o espaço. Eis que novamente o estúdio tenta com A Múmia, mas a indecisão de fazer uma aventura ou terror, faz com que o filme perca a sua própria identidade.
O filme começa nos tempos antigos do Egito, onde vemos uma princesa chamada Ahmanet (Sofia Boutella) ser enterrada nas profundezas do deserto após ter matado o faraó. A trama corta para o presente, onde vemos Morton (Tom Cruise), um soldado americano que está somente interessado em adquirir algum lucro no Iraque através de escavações. Após roubar um mapa da arqueologa Jenny Halsey (Annabelle Wallis), ele parte em busca de relíquias, mas acaba encontrando algo que não deveria ter sido acordado.
Confesso que o primeiro ato é até bem empolgante, já que o cineasta Alex Kurtzman (Bem-vindo à Vida) soube criar um clima com um teor bem sombrio para trama, mesmo ela se passando sob a luz do deserto. Ao mesmo tempo, soube apresentar boas cenas de ação nos primeiros minutos, principalmente com umas bem imprevisíveis: a cena do avião caindo com os protagonistas dentro é disparado o melhor momento.
Porém, essa harmonia entre ação e terror não dura muito, já que esse esforço de unir os dois gêneros num único filme sempre acaba sendo sofrido e aqui não é diferente. O resultado é um filme que, aos poucos, perde a sua identidade e não sabendo onde mirar para se acertar, mas sim jogando inúmeras boas idéias fora e das quais poderiam ter gerado algo bem criativo. Parece que sempre há uma sensação de desespero dos roteiristas da produção em nos dizer que isso irá gerar uma universo expandido, mas se esquecendo antes de nos apresentar uma trama bem conduzida.
Além disso, a situação piora quando vemos velhas caras conhecidas do cinema, mas atuando como se estivessem no piloto automático. Tom Cruise como protagonista, por exemplo, nada faz aqui do que interpretar o mesmo tipo de personagem em que ele atuou nesses últimos vinte anos e o que torna o resultado final bem desanimador. E se Russell Crowe se apresenta com todas boas intenções para nos brindar com uma nova versão de Henry Jekyll para o cinema, eis que a péssima direção do cineasta, aliado a idéias desperdiçadas, fazem com que o seu personagem seja usado de uma forma burocrática e estando ali únicamente para nos dizer que existe um mundo maior a ser explorado.
Felizmente, a ideia de trazer uma múmia em sua forma feminina não se tornou algo devidamente desperdiçado. Sofia Boutella (Star Trek: Sem Fronteiras) se esforça ao máximo em cena, mesmo com as maquiagens e efeitos que criam o visual da sua personagem e sempre sentimos uma aura trágica toda vez que ela surge em cena. O mesmo não se pode dizer de Annabelle Wallis (Annabelle), cuja personagem poderia ter sido facilmente interpretada por qualquer outra atriz, já que ela está ali somente para criar um dispensável par romântico com o protagonista.
Com uma divertida (ainda que desperdiçada) referência que a trama faz ao clássico "Um Lobisomem Americano em Londres" (de 1981), A Múmia é um filme sem identidade própria, cuja a ambição do estúdio de querer criar um universo expandido de monstros clássicos do cinema acaba que por nublando um resultado positivo para o filme.
Baseado no clássico "OS SETE SAMURAIS" de Akira Kurosawa, o filme é mais uma adaptação ao estilo Western. Apesar do esforço do Cineasta Antoine Fuqua (Invasão à Casa Branca e Dia de Treinamento), a produção fica muito aquém do sucesso de 1960. A comparação é inevitável.
O filme certamente não é um remake da já adaptada filmagem pelo genial Diretor John Sturges, mas uma nova visão sobre a história clássica dos samurais contratados para defender um vilarejo. Desta vez, ele se utiliza de cowboys, foras-da-lei e caçadores-de recompensa para montar o grupo que irá defender a população de uma pequena cidade americana, subjugada por um magnata do ouro, no auge da exploração no Velho Oeste.
Ele aposta também em um ótimo elenco (Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D'Onofrio, entre outros menos famosos), como no de 1960 (que contava simplesmente com Eli Wallach, Steve McQueen, Charles Bronson, James Coburn, Robert Vaughn e Yul Brynner). No entanto, a meu ver, não há uma unidade, ou melhor, há pouca afinidade no grupo dos 7 cavaleiros deste novo filme. A melhor dupla deveria ser Cris Pratt e Denzel, mas eles parecem deslocados... Há poucos ensinamentos sobre Justiça e a luta entre fazer o que é certo ou fugir do problema. O filme passa a mensagem de forma clara, mas superficial, bem como as motivações dos personagens por embarcar na árdua missão de combater um exército de mais de 200 homens.
O novo filme faz algumas referências ao original japonês de Kurosawa (como a cena final), e trabalha os personagens com personalidades bem distintas.
A Direção de Arte aposta na influência de clássicos do western, como Três Homens em Conflito, e sua trilha sonora é precisa. A fotografia é belíssima, mas não tem tomadas deslumbrantes como o mais recente Os 8 Odiados. O foco do filme é mesmo as cenas de ação, muito bem montadas.
No fim, nota-se como um bom entretenimento, mas não chega para ser um clássico como seus antecessores.
Não recomendado para menores de catorze (14) anos.
SOBRE O FILME
Sinopse: Matt Damon retorna para seu papel mais icônico em Jason Bourne. Paul Greengrass, o diretor de “A supremacia Bourne” e “O Ultimato Bourne”, novamente se junta a Damon para o próximo capítulo da franquia Bourne da Universal Pictures, na qual encontra o ex-agente mais letal da CIA retirado das sombras.
Para compor Jason Bourne, Damon se junta a Alicia Vikander, Vincent Cassel e Tommy Lee Jones, enquanto Julia Stiles retoma seu papel na série. Frank Marshal novamente produz o filme em parceria com Jeffrey Weiner pela Captivate Entertainment, e Greengrass, Damon, Gregory Goodman e Ben Smith também produzem. Baseado nos personagens de Robert Ludlum, o filme é escrito por Greengrass e Christopher Rouse.
Elenco: Jeff Goldblum, Maika Monroe, Liam Hemsworth
Sinopse: Nós sempre soubemos que eles voltariam. Depois de Independence Day redefinir o gênero de filmes de desastres, o próximo épico capítulo leva a uma catástrofe global em escala inimaginável. Usando a tecnologia alienígena recuperada, as nações da Terra têm colaborado em um programa de defesa imenso para proteger o planeta. Mas nada pode nos preparar para a força avançada e sem precedentes dos alienígenas. Somente a ingenuidade de alguns valentes homens e mulheres pode trazer nosso mundo de volta da beira da extinção.
Esperado há anos por fãs dos heróis, o grande duelo entre os maiores e mais antagônicos super-heróis da DC chegam à grande tela deixando o gosto de "quero mais".
O longa é uma continuação de "O Homem de Aço" (2013). A história cria um mundo paralelo em relação aos quadrinhos, mas é fortemente inspirada em alguns clássicos das HQs (como O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller em 1986 e "A Morte de Superman" de 1993).
O "novo" Batman / Bruce Wayne (Ben Affleck) não é continuação dos filmes de Chris Nolan, com Christian Bale interpretando o herói. Aqui se apresenta um Homem-Morcego mais velho, experiente, e que acredita que Superman é perigoso demais para a humanidade visto que ninguém pode detê-lo. Superman / Clark Kent (Henry Cavill), por sua vez, quer comprar briga com o Morcego de Gotham por fazer justiça com as próprias mãos, espalhando ainda mais terror. No fim, percebe-se que ambos se vêem e se julgam da mesma forma.
A trama toda gira em torno do Superman, o alienígena recém-descoberto pela humanidade. Os restos da batalha contra o General Zod (no primeiro filme) criou uma corrida por artefatos alienígenas e, claro, Kryptonita, a pedrinha verde do planeta natal de Superman capaz de tirar suas forças. Neste contexto temos ainda Lex Luthor, um magnata obcecado por poder que anseia se sobrepujar a algo tão poderoso como Superman.
O filme é mais maduro que o anterior "Homem de Aço", mas Henry Cavill, apesar de ser um bom ator, ainda não cativa como Superman. Talvez os roteiristas não estejam ajudando, pois o personagem segue raso e o drama não está nele, mas sempre mais forte em quem está a seu redor. Isso mantém o destaque para a sempre excelente Amy Adams, ao interpretar uma Lois Lane mais forte e destemida que suas antecessoras na TV e Cinema, mas ainda a mocinha que precisa ser salva pelo Superman.
O destaque negativo, a meu ver fica para Jesse Eisenberg ao interpretar um Lex Luthor muito excêntrico. Sua atuação me pareceu forçada e "pós-moderna" demais . Luthor sempre me pareceu um vilão que ficava melhor mais soturno, ainda que excêntrico (como todo bom ricaço). Me parece que ele tentou fazer algo que chegasse próximo ao Coringa de Heath Ledger... sem sucesso. Eu também esperava um pouco mais de história para a Mulher-Maravilha / Diana (Gal Gadot), mas quem sabe o filme solo da heroína (previsto para 2017) compense isso. Por enquanto, foi só um rosto (muito) bonito na telona.
Quem surpreende é Ben Afleck, que realmente consegue convencer como Batman, tirando os temores dos fãs e aqueles que receavam uma catástrofe como foi em "Demolidor - O Homem sem Medo" (de 2003). Aliás, as melhores cenas são com Ben Affleck, principalmente na batalha definitiva contra Superman e nas cenas contra vários criminosos (que me pareceram bastante inspiradas nos games da série "Arkham"). Esperava mais também de Jeremy Irons como Alfred, mas penso que (ainda) não lhe deram o devido espaço.
Os efeitos visuais são muito bons e a imersão ficou excelente em IMAX 3D. O filme não é cansativo nos efeitos ou na trama, mas também não diria que os efeitos são o destaque... O que chama atenção na obra é a Direção de Arte, clássica do diretor Zack Snyder (300, Watchmen), com forte inspiração nos próprios quadrinhos. As cenas de delírios / sonhos são as mais belas.
A trilha sonora de Hans Zimmer me deixou dividido... No geral é muito boa: sombria e mistura bem os sentimentos dos dois heróis. Mas a trilha da batalha com o monstro Apocalipse, com as cenas de ação da Mulher-Maravilha, me pareceu meio "brega" com tons de guitarra no meio da ação que destoaram um pouco do clima... criando um ambiente mais "insano" do que "perigoso" ou "tenso".
No geral, o filme é bom e segue a linha da DC na parceria com Chris Nolan (agora como produtor) de fazer filmes de super-heróis mais sérios. Não me decepcionei, porque não criei grandes expectativas. No entanto, o filme até que me supreendeu no sentido de ter tido mais drama e trama do que sugeria os trailers. No fim, fica o gancho para o filme da Liga da Justiça. Agora é esperar...
Confira o trailer abaixo e até a próxima! Curta e compartilhe!
A cruzada do herói, ou melhor, da pessoa predestinada por um bem maior, é uma história já contada há séculos, independente de qual forma ela é apresentada para um público diferente de cada época. Embora tenhamos inúmeras histórias conhecidas dessa cruzada, o que todas elas têm em comum é o velho embate do bem contra o mal, sendo que, o próprio herói, luta para não cair na tentação vinda da escuridão. Star Wars - O Despertar da Força, não só retoma a cine-série criada por George Lucas para o cinema, como também fortalece esses elementos já conhecidos, mas incorporando algo de novo e muito bem-vindo.
Dirigido por J.J. Abrams (Star Trek - Além da Escuridão), a trama se situa trinta anos após O Retorno de Jedi (Episódio VI da saga). Os heróis se veem num novo embate perante a Primeira Ordem, mais precisamente herdeiros do antigo Império. Entre eles encontrasse um lorde sombrio chamado Kylo Ren (Adam Driver), disposto a caçar pela galáxia Luke Skywalker, que se encontra desaparecido. Liderando uma resistência, Princesa Leia (Carrie Fisher), que agora é General, está também em busca do seu irmão Luke, mas, ao mesmo tempo, eventos ocorrem para fazer com que essa sua cruzada não seja solitária.
Dito isso, surgem os verdadeiros novos protagonistas do filme: Rey (Daisy Ridley) - bela e forte jovem que vive de catar sucata para sobreviver no desértico planeta Jakku - e Finn (John Boyega), um Stormtrooper que decide abandonar a Primeira Ordem e buscar um novo caminho em sua vida. Ambos se cruzam no primeiro ato e, através do pequeno droid BB-8, embarcam numa missão que podem levá-los ao paradeiro de Luke Skywalker. Pelo caminho, encontram a velha e poderosa Millennium Falcon, para logo em seguida darem de encontro com Han Solo (Harrison Ford) e Chewbacca e juntos partem para uma grande aventura.
Falar mais seria estragar inúmeras surpresas que esse filme reserva, mas o que posso dizer antecipadamente é que, ele não é somente uma continuação, como também uma releitura do clássico de 1977. Todas as fórmulas já vistas na trilogia clássica estão lá, mas moldadas para serem apresentadas para um novo público, respeitando o antigo. J.J. Abrams cria então uma espécie de declaração de amor e carinho por esse universo e não faz feio perante nossos exigentes olhos.
A todo momento não só surgem referências aos filmes anteriores, como também aparecem velhos conhecidos e cada um deles recebe os aplausos pra lá de merecidos. Abrams constrói essas aparições de uma forma elegante, da qual nos faz rir, e meio segundo depois nos emocionar com as cenas. Em meio a isso, é preciso dar palmas pelo fato do cineasta não abusar em nenhum momento dos efeitos especiais, mas sim que eles façam parte da trama e ao mesmo tempo remetendo ao filme clássico, como se a velha e a nova tecnologia sempre estiveram juntas o tempo todo.
Mas quem acha que o filme sobrevive somente com os velhos conhecidos se engana, pois as caras novas estão ali para sucedê-los de uma forma digna. Rey (Daisy Ridley) é, sem dúvida a verdadeira protagonista do filme: forte e determinada, Rey espera por respostas do seu passado e na oportunidade de um dia sair do lugar em que vive. Ao mesmo tempo, uma vez em que abraça a oportunidade de seguir um novo caminho, demonstra certa fragilidade devido ao peso da responsabilidade. É a cruzada do herói (a) remodelada para as novas plateias que, em meio a inúmeros obstáculos, poderá conseguir a sua redenção e um lugar no mundo.
Finn (John Boyega) segue pelo mesmo caminho, mas em busca por redenção e luz em sua vida, depois de ter presenciado os horrores que a Primeira Ordem causou. John Boyega se sai muito bem em cena, não só provando que o seu personagem tem potencial, como também se torna o grande alívio cômico da trama, mas de forma divertida e jamais boba. Tanto Daisy Ridley como John Boyega possuem ótima química juntos em cena, fazendo de seus personagens a verdadeira alma do filme.
O mesmo não se pode dizer muito do antagonista Kylo Ren (Adam Driver), pois sua presença é boa, mas meio que desperdiçada pelos poucos momentos de cena que possui. Driver se sai bem na interpretação, principalmente quando está sem mascara, sendo ela o único entrave de sua interpretação ser melhor e esse empecilho somente existe para a gente se lembrar de Darth Vader a todo momento, sendo que isso poderia ser dispensável. Felizmente o seu grande momento na trama acontece quando contracena com um personagem clássico e essa cena com certeza fará com que qualquer fã perca o chão no momento que for assisti-la.
Com relação à velha guarda, tanto Carrie Fisher como Harrison Ford, embora ambos com idades avançadas se saem bem ao passar o fato dos seus personagens serem veteranos e mais sábios perante o novo mundo que eles presenciam e que precisam enfrentar. Embora ainda seja um canalha, Han Solo passa para os seus novos companheiros todo o conhecimento que adquiriu ao longo das décadas e qualquer descrença que ele tinha com relação à Força deixou de existir. Portanto, ele se torna uma espécie de mestre e pai, principalmente para Rey, carente pela falta de uma figura paterna.
Por mais que seja empolgante o ato final, eu particularmente achei forçado demais à presença de uma antiga arma do império voltar em cena, mas muito maior e poderosa. O pior que a forma que é encontrada para destruir ela é apresentada rápida demais, dando a entender que os roteiristas tiveram preguiça nesse ponto.
Se há repetições, pelo menos uma delas nos faz vibrar, principalmente quando Rey aceita o que ela estava predestinada a ser e usa pela primeira vez o sabre de luz contra o inimigo. É nesse momento que o coração de qualquer fã infla de emoção. Se na trilogia anterior (episódios I, II e III), os combates de sabre de luz pareciam já repetitivos, aguarde para esse momento e sentir novamente a emoção que era antigamente assistir esses duelos.
Batalha vencida, mas a guerra mal começou e vemos os heróis se recolhendo e colhendo o que restou. Os minutos finais da trama deixam mais perguntas do que respostas, que somente serão respondidas nas eventuais continuações. Na reta final, vemos Rey encontrar o seu destino, mais precisamente dando de encontro com a possibilidade de aprimorar os seus dons ou na possibilidade de abandonar esse fardo e seguir outro caminho.
A cena final é curta, mas ela sintetiza exatamente toda a essência do que é Star Wars, com relação à cruzada do herói, de sua luta; o seu fardo; a sua queda e sua redenção pessoal que tanto busca. Star Wars - O Despertar da Força não somente respeita esses dizeres, como também nos abre uma porta até então desconhecida sobre essa nova cruzada. Que a força esteja com nós até 2017.
Elenco: Jason Clarke, Josh Brolin, John Hawkes, Robin Wright, Michael Kelly, Sam Worthington, Keira Knightley,~Emily Watson e Jake Gyllenhaal
Direção: Baltasar Kormákur
Roteiro: William Nicholson and Simon Beaufoy
Sinopse: Inspirado nos incríveis acontecimentos em torno da montanha mais alta do mundo, Evereste documenta a inspiradora jornada de dois diferentes grupos de expedição que são desafiados além de seus limites quando são acometidos por uma das maiores avalanches já registradas. Com a coragem testada por um dos fenômenos mais severos do planeta, os escaladores terão de enfrentar obstáculos quase impossíveis em busca de sobrevivência. A aventura épica é estrelada por Jason Clarke, Josh Brolin, John Hawkes, Robin Wright, Michael Kelly, Sam Worthington, Keira Knightley, Emily Watson e Jake Gyllenhaal.
Evereste é dirigido por Baltasar Kormákur (“Dose Dupla” e “Contrabando”) e produzido por Tim Bevan e Eric Fellner, da Working title; Brian Oliver e Tyler Thompson da Cross Creek, além de Nicky Kentish Barnes e o próprio Kormákur.
Universal Pictures e Walden Media apresentam Everest, em associação com a Cross Creek Pictures, a Universal Pictures e a Walden Media apresentam Everest – uma adaptação de William Nicholson (Gladiador) e do ganhador do Oscar, Simon Beaufoy (“Quem Quer Ser um Milionário?”) para os cinemas.
Quem escreve hoje para nós é Ben-Hur Rodrigues da Silva, de Porto Alegre. Ele fez uma análise bem bacana sobre a série Demolidor, disponível na Netflix.
Demolidor – Crítica
A Marvel concretizou mais um acerto dentre tantos que foram feitos nos filmes. Demolidor ou Daredevil, mostrou que podemos sim ter um tom mais sério nos produtos da empresa. Desde os cenários e fotografia, que deixam a série mais sombria, mostrando as vielas de New York detalhadamente, até a demonstração dos “super-poderes” do herói, que não são tão fantásticas quanto os Vingadores.
Na trama, Matt Murdock, cansado de ver seu bairro ruir nas mãos de mafiosos, se torna um vigilante da Cozinha do Inferno, tornando-se o inimigo público de diversos vilões, dentre eles o Rei do Crime. A série coloca em evidência o crime e corrupção em Hell’s Kitchen, bairro no qual o herói quer “reconstruir”, lutando contra criminosos de todos os tipos. Essa premissa torna a trama interessante, pois faz com que o espectador tenha um pouco do Demolidor dentro de si, uma vez que um cidadão “comum” se indigna com as injustiças cometidas e se torna um homem sem medo para enfrentá-las.
Um dos grandes pontos para se saudar é o elenco. Charlie Cox teve uma atuação excelente, fazendo com que quem assiste sinta suas frustrações e seu desejo de que a cidade se torne melhor devido aos seus esforços como o personagem. Outro destaque interessante do lado dos mocinhos foi Elden Henson, que interpretou o cômico Foggy Nelson, alívio cômico da série. Outro acerto foi seu principal vilão: Wilson Fisk, ou Rei do Crime, com uma atuação espetacular de Vincent D’Onofrio. Ele humanizou o chefão da máfia de Hell’s Kitchen, fazendo com que torcêssemos por ele em alguns momentos.
O interessante de Demolidor é que a série não se prende aos filmes, tornando-a autêntica e de grande importância na fase três da Marvel. Diferente de Agents of Shield que se prende aos acontecimentos do cinema e, assim, perde sua autonomia perante ao público. Para se ter uma noção do quão distante os heróis como Capitão América, Homem de Ferro e Thor estão dos problemas habituais da trama, basta pensar como seria encontrar Dustin Hoffmann ou Al Pacino no Gasômetro protestando contra o governo gaúcho.
A parceria com a Netflix rendeu bons frutos, nos trazendo um cenário mais realista da Marvel. Praticamente tudo deu certo nessa primeira empreitada! Agora, ficamos no aguardo das outras (Punho de Ferro, Luke Cage e Jessica Jones), além da segunda temporada de Daredevil. Vida longa à parceria Netflix-Marvel!
ESTREIA: 27/08/2015 Distribuidora: Fox film Gênero: Ação /Aventura/Drama Direção: Aleksander Bach Elenco: Rupert Friend, Zachary Quinto, Hannah Ware, Emílio Dantas Sinopse: Hitman: Agente 47, um assassino de elite que foi geneticamente programado para ser uma máquina mortífera perfeita, e é conhecido apenas pelos dois últimos dígitos do código de barras tatuado em seu pescoço. Ele é o resultado de décadas de pesquisa – e 46 clones anteriores – dando a ele força, velocidade e inteligência nunca vista antes. Seu último alvo é uma mega corporação que planeja revelar o segredo do passado do Agente 47, criando um exército de assassinos cujo poder ultrapassa o seu próprio
Distribuidora: Paramount Pictures Data de lançamento: 13/08/2015 Elenco: Tom Cruise, Paula Patton, Jessica Chastain Direção: Christopher Mcquarrie Produção: Alibaba Pictures Group, Bad Robot, Skydance Productions, TC Productions Sinopse: Com a agência IMF desmantelada e Ethan (Tom Cruise) fora de combate, a equipe agora enfrenta uma rede de agendes especiais altamente qualificados, o Sindicato.
Estes agentes muito bem treinador estão empenhados em criar uma nova ordem mundial através de uma série cada vez maior de ataques terroristas. Ethan reúne sua equipe e une forças com a desacreditada agende britânica Ilsa Faust (Rebecca Ferguson), quer poderá ou não ser parte desta nação secreta, na medida em que o grupo enfrenta sua missão mais impossível de todas.
Homem-Formiga, do diretor Peyton Reed, faz algumas das melhores coisas que nunca vimos em um filme da Marvel. Scott Lang, personagem de Paul Rudd proporciona inúmeras cenas memoráveis, cheias de risos e ação. Não há nenhum enredo esmagador ou incoerente, a diversão não se baseia apenas em ver ou apreciar as referências aos outros filmes da Marvel. Também não é sobre salvar o mundo ou o universo, os riscos não são tão elevados como outros filmes da Marvel.
A ação e aventura fornece mais do que razões suficientes para fazer o Homem-Formiga ser um alívio dentro do universo cinematográfico da Marvel. O filme se baseia em um conceito chamado de macrofotografia, de modo que, quando Scott Lang encolhe, o seu entorno, banheiras, tábuas, placas de circuito, ficam extremamente detalhados, porque, em sua maior parte, eles são. É uma forma inovadora de olhar para o mundo super poderoso da Marvel, algo que até agora não vimos em nenhum filme dessa superpotência do cinema.
As impressões digitais de Edgar Wright, que roteirizou a primeira versão do filme, Nunca estiveram mais óbvias, principalmente nas cenas em que Scott encolhe, quando se esgueira através de situações, desarmando guardas mortais, tudo isso mostra que a influência de Wright esta lá e foi muito bem usada.
Dito isto, outras vozes criativas têm a sua marca em todo o Homem-Formiga, incluindo Peyton Reed, o diretor com a tarefa nada invejável de assumir as rédeas de um dos cineastas mais amados na história recente da cultura pop, com apenas algumas semanas para se preparar para o montar tudo isso. Dada a enorme batalha que enfrentou, a capacidade de Reed para dirigir Homem-Formiga é uma maldição admirável.
Entretanto, grande parte do crédito também pertence à Rudd, que interveio no script após Wright e o co-escritor Joe Cornish irem embora no ano passado. Ele e o colaborador frequente Adam McKay carregam o Homem-Formiga com o timing cômico que ambos são conhecidos. No entanto, eles trouxeram mais do que apenas risadas, eles trouxeram uma carga emocional, também, visto mais claramente nos temas da paternidade; todo mundo tem um problema com sua figura de pai, Darren contra Hank e Scott que luta contra seus próprios fracassos como um pai para sua filha Cassie.
Rudd parece bem seguro interpretando o herói, ele retira todos os aspectos extraordinários do Homem-Formiga e apresenta um personagem mais conhecido pelos seus momentos de comédia do que pelas suas “habilidades de Karatê”. Rudd também faz um grande jogo de tela com Michael Douglas, que interpreta o Dr. Hank Pym, que mesmo sob uma barba e um olhar severo parece ter suas pontas de comédia.
Darren Cross, personagem de Corey Stoll, é principalmente mal. Quando ele coloca o traje do Jaqueta Amarela ele se torna extremamente intimidador, com uma voz e atitude verdadeiramente vilanesca.
O maior ladrão em cena, depois de Rudd, é Luis, personagem de Michael Peña, como amigo de Scott e talvez o criminoso mais feliz do mundo. O personagem de Peña nos apresenta cenas hilariantes; um exemplo disso é a inabilidade do personagem de contar uma história de forma objetiva e acabar sendo sempre prolixo, exagerando nas gírias e maneirismos.
Homem-Formiga funciona porque é pequeno, porque tem coração e porque não é tudo o que você esperaria de um filme da Marvel. Ele prova que o menor super-herói dos quadrinhos pode ser um sucesso muito grande nas mãos certas, mesmo não sendo tão grande quanto os filmes que ele está tentando se amarrar. Fazendo referencia aos Vingadores e utilizando aparições reais de Vingadores de vez em quando, ele faz um esforço para manter as coisas conectadas. Mesmo que as ligações entre o Homem-Formiga com o Universo Marvel seja um pouco fina, às vezes, há grandes momentos em que novas possibilidades de ver o herói nos vingadores parecem possíveis, novas possibilidades que certamente serão exploradas em Vingadores: Guerra Infinita e, talvez, mais rapidamente em Capitão América: Guerra Civil.
Em 2002 eu estava trabalhando como promotor de venda de consórcios e na hora do almoço meus colegas e eu começamos a conversar sobre filmes de ação. Uma colega minha da época, chamada Patrícia, disse que o melhor filme de ação para ela de todos os tempos era Velozes e Furiosos. Eu, como conhecedor de filmes, disse a ela que, se pensa uma coisa dessas é porque não havia conhecido a trilogia Mad Max de George Miller.
Tudo o que me lembro é que quase saímos no braço, pois ela defendia o filme com unhas e dentes de forma absurda e sem querer compreender a minha opção sobre Mad Max. Quando vejo cada capítulo da cine série protagonizada por Vin Diesel, ou da famigerada “a lá vídeo clipe” franquia de Transformes, percebo que o público jovem de hoje esta mal acostumado com filmes que, não passam de uma pálida imagem do que eram os filmes de ação de verdade dos anos 70 e 80. Mad Max: Estrada da Fúria não só coloca todos esses filmes de ação de hoje no chinelo, como também vai fazer com que muitos cineastas pensem na melhor maneira possível de reinventar o gênero de novo e a tarefa não será fácil.
Mesmo com mais de 60 anos de vida, George Miller retorna a cadeira de cineasta nesse mais novo capítulo e demonstra total liberdade e controle no que sabe fazer de melhor. Nada do que é mostrado em Mad Max é visto hoje em dia, mas sim da maneira como era feito antigamente. Os efeitos especiais aqui são mínimos, mas quando eles são usados, são unicamente para melhor aprimorar o ritmo da trama.
Falando em ritmo, o cinéfilo terá um prólogo para se situar (caso não tenha visto os capítulos anteriores), mas logo é jogado junto com o protagonista Max (Tom Hardy) ao inferno de uma seita. Em poucos minutos, o cineasta deixa a gente sem fôlego, mas não usa inúmeros cortes rápidos nas cenas, mas sim usando momentos rame rate mais baixo do que os 24 quadros por segundo habituais e que provocam uma sensação de movimento acelerado (algo como ocorre quando vemos, hoje em dia, os filmes da época do Cinema mudo, rodados a 16fps). O momento é de tirar o fôlego, mas nada que a gente não compreenda o que tenha acontecido em cena (aprenda, Michael Bay!).
Após a apresentação, descobrimos que o protagonista está servindo de saco de sangue para seguidores de um tirano que auto se proclama um deus chamado Immortan Joe (Keays-Byrne, que também viveu o vilão do primeiro filme) e que usa as mulheres para gerar novos seguidores e dar leite como alimento. Ou seja: mulheres usadas unicamente para procriar e dar alimento para os desesperados da terra devastada que, ainda clamam pela pouca água que o vilão dá para eles. A coisa muda de figura quando Furiosa (Charlize Theron, espetacular) decide fugir com as jovens esposas do tirano e levá-las para uma possível terra prometida que ela conhece.
Claro que, em meio a corridas, mortes e loucura, não demora muito para ela e o anti-herói se cruzarem, mas antes disso, testemunhamos novamente um pouco mais desse dia a dia apocalíptico. Num universo aonde a esperança se torna mínima, tudo que talvez reste para desesperados seja acreditar em algo para ganhar um lugar ao sol. É nesse cenário de crença cega (algo muito bem visto hoje em dia no mundo real) é que conhecemos o crente suicida Nux (Nicholas Hoult de X-Men: Primeira Classe) que, não hesita em se sacrificar em nome de Immortan Joe, mas descobrirá da pior (ou melhor) forma possível de que estava errado.
Tanto essa personagem como a forma que as mulheres são tratadas no filme são, na verdade, uma espécie de metáfora que os roteiristas e o cineasta usam contra as igrejas conservadoras de hoje e com relação a homens que ainda acreditam que tem o direito de usarem as mulheres como bem entendem. Num cenário onde o estado é nulo e o lado bom da humanidade cada vez mais raro, ou você usa todos os métodos para sobreviver contra a insanidade, ou perece antes mesmo de começar a tentar. Não há lugar para sutileza no universo de Mad Max.
Tanto Max como Furiosa são dois seres marcados pelo horror, sendo que o primeiro só se importa em sobreviver e ficar sozinho. Porém, no momento em que dá de encontro com a causa de Furiosa, gradualmente o seu egoísmo é deixado de lado, buscando através de sua missão uma espécie de redenção, para assim se livrar do seu passado que lhe atormenta (visto em poucos flashbacks). Uma vez feito o acordo, o grupo parte para a missão, mesmo sabendo que é suicídio na certa.
No percurso, George Miller capricha ainda mais naquele cenário opressivo, onde o horror se mistura com a beleza vinda do deserto, embalado com uma das mais belas fotografias do ano. Sabiamente tons de cores são muito bem distintos comparados uns ao outro, sendo que ao cair da noite no deserto, o cenário muda, para então saborearmos belas cenas na luz do luar. Isso ocorre justamente quando os personagens buscam um momento de fôlego para, então, partirem em busca de uma terra de paz.
Infelizmente estamos falando do universo de Mad Max e, se vocês se lembrarem de que todo o sacrifício que o protagonista passou no final do segundo filme foi inútil, verá que aqui isso não deixa de ser diferente. O ato final entrega tudo o que é Mad Max é: carros em velocidade, batidas, explosões, sangue, sacrifício e morte. Tudo embalado com uma trilha sonora pesada e que se casa muito bem com cada seqüência de ação que explode em cena.
Se inspirando de forma explicita ao clássico A GENERAL de Buster Keaton e Clyde Bruckman, George Miller fez em Mad Max: Estrada da Fúria o que nenhum outro cineasta fez no gênero de ação nestes últimos dez anos e provando que cinema espetáculo, com apenas um fio de roteiro, pode sim se criar uma verdadeira obra prima da sétima arte.
Estivemos presentes na cabine de imprensa de Vingadores 2, em Porto Alegre e podemos dizer que vale a pena conferir na telona!
Imagino que alguns cinéfilos mais jovens talvez não irão gostar tanto deste filme quanto do primeiro Vingadores. Esta sequência, dentro do universo Marvel nos cinemas, é um dos mais maduros e dramáticos. É claro que há uma boa dose de humor, principalmente do sarcasmo de Tony Stark, a soberba de Thor, a sensualidade da Viúva Negra, o deboche do Gavião Arqueiro e a monstruosa sutileza do Hulk. O mais sério é o Capitão América neste filme, sendo responsável pela maior dramaticidade, como a "conciência" do grupo.
Neste longa, os Vingadores começam em uma missão contra a Hidra, em busca do cetro mágico de Loki. Logo eles descobrem que a Hidra buscava criar algo novo usando o poder do cetro, mas seu maior segredo eram os gêmeos Mercúrio e a Feiticeira Escarlate. Mercúrio é superveloz e a Feiticeira tem os poderes de telecinésia e de manipular a mente de outras pessoas, mostrando seus maiores medos. É assim que, no primeiro encontro com Tony Stark ela lhe revela o medo da sua responsabilidade em proteger o mundo.
Com o cetro em suas mãos, Tony Stark / Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Bruce Banner / Hulk (Mark Ruffalo) descobrem um grande poder, que supera os conhecimentos humanos sobre Inteligência Artificial, inclusive ao próprio Jarvis, programa criado por Stark para gerenciar sua legião de Homens de Ferro. Ainda traumatizado com os acontecimentos em Nova York (durante o primeiro filme) Stark quer usar este poder para criar Ultron, um supersistema que permita à humanidade se proteger contra uma invasão alienígena novamente. A problemática desta trama está justamente quando Ultron desperta e, como criação de Stark, ele assume parte de sua personalidade e entende que para haver paz na Terra é fundamental que os Vingadores não existam.
O filme trabalha muito com este paradoxo entre o bem e o mal sob certo ponto de vista. Stark quer a paz na Terra para que os Vingadores não precisem existir, enquanto Ultron (voz de James Spader) entende que para haver paz, primeiro não podem existir os Vingadores. É aqui que entra a liderança de Steve Rogers / Capitão América (Chris Evans) ao lembrar que, na história da humanidade, sempre que alguém quis acabar com uma guerra antes dela começar, inocentes morreram.
Desta vez os Vingadores lidam com um inimigo que não é máquina, nem humano e que, ainda assim, tem um pouco de ambas as naturezas. Para vencê-lo, eles precisam mais do que seus poderes individuais, precisam reaprender a trabalhar em conjunto e de novos aliados. É aí que surgem os novos Vingadores.
Todos tem importância fundamental para a trama, mas tudo gira ao redor, novamente, do Homem de Ferro, como personagem mais emblemático e até mesmo pelo grande talento de Downey Jr que ainda se destaca por demais em relação aos demais atores. Há um charme especial nas cenas com Scarlet Johanson (Viúva Negra) e Mark Ruffalo (Hulk), e o início do romance entre seus personagens. O curioso é ver que o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) ganhou mais destaque neste filme, inclusive colocando um peso a mais de dramaticidade e humor que Chris Evans ou Chris Hemswoth (Thor).
Quantos ao demais detalhes, a trilha é boa, mas não é emblemática. Os efeitos visuais são espetaculares, mas achei o 3D descartável desta vez. Um dos grandes pontos dos efeitos é a briga de rua entre o Homem de Fero com sua super-armadura contra um Hulk enlouquecido.
Como de hábito, após os créditos há uma cena especial, dando gancho para um dos próximos filmes da Marvel. Muitos esperavam algo sobre o Homem-Aranha, mas não foi desta vez. O herói não foi nem mencionado em cena alguma. O personagem que aprece no fim é [spoiler] novamente Thanos, que já havia aparecido nos créditos finais do primeiro Vingadores. Ao longo de todo o filme (e dos outros filmes paralelos - Homem de Ferro 3; Capitão América 2; Thor 2) Thanos não é mencionado, mas na cena pós-créditos ele aparece dizendo que deverá resolver tudo por conta própria. E a Marvel já garantiu que haverá Vingadores 3. Agora só nos resta esperar.
Vingadores 2: A Era de Ultron é um filme sobre a busca incessante do ser humano por harmonia, mas também sobre os horrores que somos capazes de fazer para conquistar esta paz. Confiram!
Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Chris “Ludacris” Bridges, Elsa Pataky, Lucas Black, Jason Statham, Djimon Hounsou, Tony Jaa, Ronda Rousey, Nathalie Emmanuel, Kurt Russell e Jason Statham
Direção: James Wan
Roteiro: Chris Morgan
Produzido por: Neal Moritz, Vin Diesel, Michael Fottrell
Produção Executiva: Samantha Vincent, Amanda Lewis, Chris Morgan
Sinopse: Dando continuidade às aventuras globais da franquia construída à base de velocidade, Vin Diesel, Paul Walker e Dwayne Johnson lideram o elenco de “Velozes e Furiosos 7”. O novo capítulo da série de sucesso conta com direção de James Wan e ainda traz de volta os atores Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Chris Brigdes “Ludacris”, Elsa Pataky e Lucas Black. A franquia ainda traz novos astros internacionais ao elenco, dentre eles Jason Statham, Djimon Hounsou, Tony Jaa, Ronda Rousey, Nathalie Emmanuel e Kurt Russell. Neal H. Moritz, Vin Diesel e Michael Fottrell voltam a produzir o filme que conta com roteiro de Chris Morgan.
Mathew Vaughn é o tipo de diretor que, ao impressionar na primeira obra, ganha carta branca para fazer o que bem entender nos filmes seguintes. Se ele havia impressionado com o humor negro, critico, cartunesco e violento em Kick-Ass, ele injetou novo frescor e originalidade na franquia X-Men no filme Primeira Classe. Mais do que uma nova adaptação de uma HQ, Kingsman: Serviço Secreto é uma divertida, crítica e violenta homenagem aos filmes de espionagem de antigamente, mas que, ao mesmo tempo, não se esquece de que forma são feitos os espiões de hoje da ficção como, por exemplo, o agente da trilogia Bourne.
A história é simples: o veterano agente Harry (Colin Firth) de uma organização super secreta inglesa, decide treinar um rapaz Eggy (Taron Egerton) que era filho de um colega seu já falecido, para que ambos enfrentem um megalomaníaco multimilionário (Samuel L. Jackson), dono de uma empresa de informática que, decide eliminar boa parte da humanidade para salvar a terra. Até ai a trama não parece nada original, mas é a mão do diretor que faz toda a diferença.
Pode-se dizer que Vaughn não está nenhum pouco preocupado com o que irão achar do seu filme, pois é uma obra da qual você não pode levar a sério em nenhum momento, devido ao seu alto grau de inverossimilhança, ou então você leva a sério e simplesmente o risca de sua memória. Porém, fazendo isso, perderá duas horas de pura diversão e entretenimento infalível, do que qual o roteiro não poupa nada e nem ninguém. Só para se ter uma ideia o filme cutuca o fato de que a maioria dos líderes do mundo são comprados facilmente, que as pessoas são verdadeiros zumbis consumistas que, são comprados facilmente por bugigangas da era da informação rápida e sem se preocupar com as suas consequências.
Em meio a isso, nos divertimos com o treinamento de Eggy em que aos poucos se destaca em desafios severos, porém, essenciais para a sua aprovação. É sempre divertido ver momentos em que o agente Harry gradualmente passa o bastão de sucessão para seu aprendiz que, por sua vez, começa a gostar do lado cavaleiro de um agente britânico. Mas, por trás do lado refinado desses agentes, se encontram verdadeiras maquinas mortíferas que não medem esforços para salvar o mundo, nem que para isso custem as cabeças (literalmente) de muitas pessoas importantes.
Mathew Vaughn não tira o pé do acelerador nos momentos em que a violência simplesmente explode na tela. Vindo com ela, é preciso dar palmas pela coragem ao acrescentar uma dura crítica às igrejas de hoje que, mais parecem indústrias que consomem o dinheiro de fiéis cegos. Só assim para explicar o que acontece dentro de uma igreja batista, em que o protagonista se vê em meio a fiéis, liderados por um pastor que solta pesadas palavras racistas e homofóbicas.
O que vêm em seguida começa com palavras fortes e criticas vindas do protagonista, mas que com certeza todos aqueles que assistem um dia queriam dizer, mas só não falam devido às consequências. O protagonista se vê em meio a um verdadeiro massacre dentro da igreja, onde ele mesmo precisará matar para conseguir sobreviver em meio ao inferno. Usando planos sequências rápidos (aliado com o melhor de efeitos visuais) o diretor cria aqui uma sequência que, com certeza irá gerar polêmicas, elogios e não me surpreenderia em ser apontado como um dos momentos mais corajosos do cinema do ano.
O que se vê depois são os efeitos desse momento e o terceiro ato se torna a velha história de sempre de salvar o mundo, Porém, lá ainda se encontram a violência, câmera movimentada e até mesmo uma pitada de critica com o lado mais irracional do ser humano. Não me surpreenderia se Mathew Vaughn tenha ouvido falar sobre o alto grau de violência de determinadas cidades do mundo. Só dessa forma então para explicar o fato de ele usar justamente a praia do RJ como cenário de uma cena chave, onde com certeza irá puxar risos do público brasileiro, consciente do que realmente acontece no cartão postal carioca na vida real.
Com um final que dá uma dica de uma possível nova franquia, Kingsman: Serviço Secreto é aquele típico filme que não mede papas na língua para criticar, mas ao mesmo tempo de entreter com um humor negro acalorado, mas ao mesmo tempo muito bem vindo.
Clint Eastwood é direitista assumido e seus personagens mais famosos do cinema (como o estranho sem nome da trilogia dos Dólares) nada mais são do que uma representação do que ele tem por dentro. Mas vivemos em outros tempos, em que o politicamente correto corre solto, para o bem ou para o mal e aquela imagem de heróis americanos patrióticos se tornaram uma imagem pálida perante o fato que, se deve sim, respeitar todas as nações, mesmo quando elas guardam pessoas violentas e que agem sem pensar nas consequências. No seu mais novo filme como diretor, Sniper Americano nasceu para ser odiado ou defendido, em que dá valor em temas defendido por direitistas americanos, mas que ao mesmo tempo não esconde as consequências por defender tais valores para alguns ultrapassados.
Chris Kyle (Bradley Cooper) é um texano, criado por um pai severo, mas que o ensinava a defender o mais fraco, não importando as consequências. Tinha o desejo no principio de ser um peão de rodeios, mas ao mesmo tempo cresceu em volta de armas dentro de casa, tornando-se então um atirador de elite das forças especiais americanas. Após o 11 de Setembro, Chris decide então com unhas e dentes defender no que ele acredita: acabar com os selvagens que ousaram em tentar destruir o seu país que ama.
O termo “selvagem”, inclusive, é dito algumas vezes pelo próprio protagonista quando está em missão, como se fosse um caubói do cinema de antigamente que ia matar índios, antes os grandes vilões dos primeiros anos do cinema. Porém, Eastwood sabe no vespeiro que está se metendo que, ao mesmo tempo em que coloca na tela um personagem que defende certos valores duvidosos, por outro, coloca ele em dilemas, que o fazem sua saúde mental ficar na corda bamba. A cena em que ele se vê obrigado a matar uma mãe e menino que, revezam segurando uma bomba, é desde já chocante e que abre o filme, mas ao mesmo tempo ocorre um flashback, mostrando os caminhos que o levaram até ele chegar naquele ponto.
O único caminho para a sua redenção pessoal é buscar uma paz ao lado de seus filhos e da sua esposa (Sienna Miller), mas uma vez que fica em casa, acaba sempre encarando as notícias da guerra na televisão, o que faz então sempre retornar para o outro lado do mundo. Ao longo da projeção, se percebe que a guerra abre caminho para o horror, se tornando uma droga e tudo que resta para o protagonista é seguir exatamente o que o seu pai lhe ensinou, de defender o próximo. O percurso é árduo, violento e fazendo Chris se tornar o mais letal atirador da historia americana (160 mortes no total) e se tornando para os seus colegas uma lenda.
Clint Eastwood não poupa esforços para fazer o melhor filme de guerra para ele, fazendo das imagens da câmera se tornarem tremulas, como se outro soldado estivesse carregando ela e indo atrás dos seus colegas. Com uma montagem elegante, o filme possui agilidade surpreendente, fazendo com que a gente não sinta as mais de duas horas de projeção. Não faltam momentos de pura tensão e adrenalina: a sequência que ocorre um grande tiroteio em meio a uma tempestade no deserto é desde já fantástica.
Mas, se num primeiro momento dá a sensação de dever comprido, o filme não esconde suas sequelas, que vai desde soldados com pernas ou braços amputados, há um estado de mente perturbada devido aos horrores que presenciaram. Chris Kyle acaba se tornando uma pessoa não muito diferente de outros veteranos que vieram de outras guerras (como o do Vietnã), embora não admita em nenhum momento que a culpa é do governo que ele protege. Querendo ou não, Chris Kyle é uma vitima de um país que enriquece com a guerra que, por vezes não pertence a ela, de uma cultura fortalecida pelo medo e que faz com que inúmeras famílias convivam com armas dentro de casa.
É claro que diferente de outros filmes como o documentário Tiros de Columbine, o filme não diz de forma explicita de como é errado esse universo contemporâneo das armas daquele país, mas sim de uma forma bem subliminar: a cena em que o protagonista não esconder um olhar pouco lúcido e brincando com a sua esposa com uma arma carregada, sintetiza como ainda estão despreparados aquelas pessoas que nasceram e cresceram numa sociedade em que se ensinou que, o mais forte sempre é aquele com a arma na mão.
Com a melhor interpretação de Bradley Cooper na carreira, Sniper Americano é um filme que irá dividir a opinião de tudo e a todos, mas que ao mesmo tempo irá gera os melhores debates e nascendo então uma boa dose de reflexão.
Transformers já teve ao todo quatro filmes para o cinema que, embora tenham sido sucessos de bilheteria, será lembrada como uma franquia que não tinha o que era essencial para agradar a critica em geral: emoção!
Emoção é a palavra de ordem para a mais nova animação da Disney, Operação Big Hero que, pela primeira vez, é uma animação com selo Marvel, já que a casa do Mickey explora uma da filiais japonesas da Casa das Ideias e que reúne o melhor dos dois mundos. Assistindo a esse filme se encontra elementos, tanto do que já foi visto em outras animações Disney, como também do que já foi visto em outras animações japonesas. Belo exemplo disso são os minutos iniciais, onde vem em nossa mente animações como Pokemon.
O próprio protagonista Hiro Hamada (voz de Ryan Potter) tem as tão conhecidas características de um tipico protagonista de animações japonesa: Cabelo preto (meio arrepiado), olhos grandes e roupa com partes vermelhas. Porém, a sua personalidade apresentada gradualmente no decorrer do filme, assim como o caminho que irá trilhar, lembra e muito os personagens típicos da Marvel como o Homem Aranha. Acima de tudo, o filme possui uma alta dose de mensagem positiva com relação a saber superar os obstáculos e realizar os seus sonhos.
Hiro tem um irmão chamado Tadashi (voz de Daniel Henney), que servirá de empurrão para que ele vá atrás do seus objetivos. Infelizmente Tadashi morre num (aparentemente) acidente, fazendo com que Hiro siga o caminho do herói que irá começar a percorrer, mesmo que num primeiro momento não era essa a sua real intenção. Nesse percurso, Hiro terá companhia da maior criação de seu irmão: Baymax!
Se eu cutuco na ferida com relação a Transformers, é pelo fato que, mesmo com inúmeros robôs apresentados na tela, nenhum é carismático e tão pouco nos passa vida. Já Baimax, mesmo sendo um robô, já nos conquista de imediato pela sua pureza, ingenuidade, visual (que lembra um boneco de marchimelo) e que nele, guarda o melhor do irmão de Hiro, literalmente. Os melhores momentos de humor do filme são protagonizados por Baymax, sendo que a cena que ele tapa os seus furos com fita adesiva é hilária.
Acima de tudo, Operação Big Hero é uma representação do domínio dos nerds nestes primeiros anos do século 21. Antes reclusos ao segundo plano do universo cultural, agora a maioria dos filmes de aventura, ficção e fantasia (na maioria baseada em HQ) são uma representação desse domínio que, vem gerando lucro aos estúdios, mas que felizmente tem rendido boas historias para nós. O grupo de amigos nerds de Hiro, onde cada um cria seus próprios trajes e poderes para combater o crime, é nada mais do que uma representação dessa mania sem precedentes.
Como todo o filme desse porte, há um vilão com segundas intenções. Porém, os roteiristas foram engenhosos em não cair no óbvio, sendo que a verdadeira identidade vilanesca e suas motivações são uma das grandes surpresas do filme. Aliás, o filme é carregado de inúmeras surpresas que, quando se acha que irá acontecer algo que nós já estamos montando em nossas mentes, sempre ocorre algo inesperado.
Em termos técnicos, Operação Big Hero mantem as mesmas qualidades de som e imagem dos últimos filmes da Disney, sendo que cada cena vista no decorrer da animação é de encher os olhos. Por ser um universo que reúne o melhor dos dois mundos, a cidade de San Fransokyo é uma mistura tanto de San Francisco como também de Tókio, gerando então um mosaico cultural dos dois países, sendo algo que somente vi em filmes como Blade Runner, mas com uma realidade mais limpa e esperançosa.
É claro que nem tudo são flores para esse filme, pois eu acredito que a Disney não foi 100% corajosa na hora de encerrar a trama. Digo isso porque o filme poderia muito bem em deixar em aberto com relação ao destino de um dos personagens. Porém, nos últimos segundos do segundo tempo, eles decidem resolver tudo tão facilmente, que acaba meio que soando forçado demais.
Apesar desse deslise, Operação Big Hero pode facilmente ser rotulado como a melhor e a mais divertida animação desse ano e provando o verdadeiro potencial positivo da parceria Disney e Marvel.