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29 de maio de 2019

Rocketman

Do diretor Dexter Fletcher, o filme Rocketman tinha a responsabilidade e o desafio de mostrar a trajetória do artista Reginald Dwight, mais conhecido como Elton John, e condensar em um único longa de duas horas uma carreira de muita música, exageros e surrealidades.


Antes de qualquer análise, um “elefante” deve ser tirado da sala. Apesar das diferenças, em termos de produção e roteiro, as comparações com Bohemian Rhapsody (2018), filme que mostra a trajetória de Freddie Mercury e a banda Queen, são inevitáveis. Fletcher foi o diretor chamado para dar fim a produção de Rhapsody que teve início com o diretor Bryan Singer, este que foi demitido em decorrência de diversas polêmicas.

Tendo isso em mente é necessário dizer que Rocketman, apesar de bem diferente, é sim superior a Bohemian Rhapsody. A principal característica que faz este filme melhor é a valorização das músicas já consagradas de Elton John. Elas são inseridas de forma orgânica na trama e servem como cola que liga um momento a outro, apresentando ao expectador um verdadeiro espetáculo. Já o roteiro também é um ponto alto, baseado principalmente em uma desconstrução de personalidade e de reencontro com a mesma.

Um destaque ainda é o fato de que o filme se mostra mais sincero e corajoso que Bohemian Rhapsody ao tratar de forma mais clara a homossexualidade e os problemas junto a uma sociedade conservadora que cercam a orientação de Elton John. O filme não se mostra em nenhum momento cauteloso ao tratar do assunto e assume com todas as palavras e de forma visual essa característica do artista.

Um conto de Sir Elton John


O filme tem início com a apresentação de três vícios que o artista vai ter de lidar ao descobrir o preço do sucesso. São eles sexo, drogas e bebida. A partir daí tem início uma trajetória que vai de um menino que utiliza a música como forma de se distrair da ausência do pai, até um artista que ao perceber a fama começa a se aproveitar disso com exageros que levam à sua ruína emocional.

Sendo um espetáculo, o filme não economiza na suspensão da realidade para apresentar essa trajetória. Em alguns momentos personagens começam a levitar durante alguma canção e você aceita porque o filme passa essa ideia de psicodelia, afinal, não faria nem sentido eles cantarem de forma aleatória por aí, mas é um musical, toda cena cantada é um pequeno show e é tão bem feito e orgânico que se torna aceitável.

Mesmo assim, o filme se perde um pouco ao chegar em seu momento dramático. O ator Taron Egerton, que vive Elton John, entrega sua melhor atuação, com desenvoltura e dramaticidade necessária, o problema é a necessidade de se estender essa dramaticidade mais do que preciso. Com duas horas de duração o momento alto do filme em que o cantor Elton John começa a experimentar as consequências de seus três exageros mostrados inicialmente na trama é esticado mais que o necessário, deixando o momento um pouco cansativo.

Algumas cenas, apesar de mostrar momentos icônicos da carreira do artista, são curtas e por isso parecem descartáveis. Como o casamento de Elton John com Renate Blauel, interpretada pela atriz Celinde Schoenmaker, que apesar de ser um momento icônico da carreira do cantor, se perdeu dentro da trama. Apesar destes enchimentos, há um certo alivio no ápice da trama, quando a música que dá nome ao filme, Rocketman, é apresentada, mostrando o espetáculo que de fato o filme consegue entregar, mesmo em uma hora tão pesada da trama, apresentando também a desenvoltura física de Taron Egerton dedicada para realização das coreografias.

O Show deve continuar


Assim, é importante destacar que este filme deve ser visto no cinema. Rocketman faz questão de trazer o telespectador para dentro de um grande clipe musical e não há nenhum problema nisso. Afinal, mesmo se você não está familiarizado com a carreira de Elton John ou com suas músicas, pelo menos vai estar curtindo um grande show visual, muito bem construído para atrair um público que quer relaxar e curtir o momento.  



Confira ainda a collab realizada com o pessoal do Feededigno logo após a cabine de imprensa onde pontuamos nossas primeiras impressões sobre o filme em vídeo:

5 de janeiro de 2015

A Família Bélier (La Famille Bélier, 2014)

Clichês de filmes musicais onde o adolescente descobre um talento, canta pela escola, todos aplaudem e no final a paixão se torna amor e todos vivem felizes para sempre. Quem nunca viu um filme nesses moldes? É bem comum e um tanto cansativo pela grande quantidade de filmes desse gênero, mas quando um deles te surpreende pelos pequenos detalhes que mudam totalmente do clichê?

Filmes franceses tendem (em sua maioria) a serem lentos, de tramas e enredos cansativos ou extremamente apelativos. Surpreenda-se de novo: Neste comédia-drama-musical o que menos há são momentos de "pausa" na história para ficar exibindo as belas paisagens francesas ou fazendo apelações desnecessárias em algum aspecto da história. Não sou um expert em cinema francês, porém me agradou a combinação feita pelo diretor Eric Lartigau, que com uma visão de cena excelente, juntou história + belas paisagens + atuação excepcional dos atores.

Vamos ao clichê: Paula (Louane Emera) é uma adolescente que vive na fazenda com os pais. Estuda longe e tem sua melhor amiga, Mathilde (Roxane Duran). Elas estão iniciando um novo ano letivo e decidem escolher uma matéria "livre" para cursarem juntas. A escolha das duas foi o coral da escola, pois o galã da escola Gabriel (Ilian Bergala) escolheu o coral. Ela em pouco tempo destaca-se como um talento musical e é convidada para fazer um teste e estudar música em Paris.

Logo a história parece pronta, mas vamos incluir o detalhe. Os pais de Paula são surdo-mudos. É necessário explicar toda a complexidade por trás disso? Paula é a única que conhece tanto a fala quanto a linguagem de sinais, sendo ela a responsável por se comunicar com a comunidade e executar algumas tarefas administrativas da fazenda. E pensem: os pais dela nunca poderão ouvi-la cantar, não poderão apreciar o dom da filha

Outro contraponto no clichê é que seu pai, Rodolphe (François Damiens) está insatisfeito com a política do prefeito local e decide se candidatar, mas "como um surdo poderia ouvir os problemas da comunidade"? A trama toda gira em torno desses pilares, que não a torna dramática o bastante para ser um drama ou engraçada o bastante para ser uma comédia. O filme mistura os problemas e as visões dos personagens. Lógico que nem tudo é perfeito, pois algumas histórias passam despercebidas e estão lá só para fazer rir ou cutucar a sociedade pelos problemas dos surdos e mudos. 

Talvez não baste explicar as dificuldades da família ou os problemas de toda adolescente (desde as amizades na escola, a primeira menstruação, os amores impossíveis).... Prefiro não estragar a surpresa e apenas recomendo que vejam A Família Bélier. Como disse no começo, o filme mistura bem aquilo que é devido às artes e expõe, de maneira criativa e bela muitas coisas que normalmente não pararíamos para pensar. É de arrepiar, chorar, rir e se emocionar. 


23 de setembro de 2014

"MESMO SE NADA DER CERTO" ("Begin Again", 2014)

Para haver mudança, mude.

Elenco: Mark Ruffalo, Keira Knightley, Adam Levine, James Corden, Haileen Steinfeld, Yasiin Bey, Catherine Beener, Cee-Lo Green e grande elenco.
Diretor: John Carney
Gênero: Drama

O dia não foi dos melhores. Foi um daqueles que você se vê obrigado a lidar com você e, se der, sair vitorioso. Julguei que pegar um cineminha seria uma boa pedida pra espantar a bad e, de fato, não podia ter acertado mais a mão que neste aqui!

O longa conta duas histórias que colidem para mostrar que, para se começar algo, confiança é o mínimo exigido para se chegar a algum lugar. De começo, conhecemos Dan (Mark Rufallo), um cara que falhou como pai e perdeu seu caminho como produtor musical de grandes artistas. O cara é uma bagunça! Ao chegar na produtora que fundou com um sócio, ele o despede na frente da própria filha, que já não vê o pai como uma espécie de super-herói... Ao deixar a filha em casa e passar o dia de bar em bar, ele acaba num pub que o "acorda para uma nova realidade": E essa realidade canta bem e vem com a cara de Keira Knightley! A atriz dá vida a Gretta, uma compositora deixada para trás pelo, até então, namorado rockstar Dave (Adam Levine), que arrisca pela primeira vez assumir os vocais de uma canção autoral no mesmo local que Dan chora as pitangas.
Um dos principais fatores que fizeram o produtor musical se perder ao longo do tempo foi a quantidade de artistas pré-produzidos que chegavam para analisar se valia a pena ou não assinar um contrato. Essa crítica do filme não podia ser mais atual e, se você tem dúvidas, liga uma rádio a lá Jovem Pan que você vai ouvir músicas de refrão repetitivo que ninguém lembrará em cerca de 10 anos. O trabalho de Dan era trazer à luz do dia, talentos que seriam consideráveis a longo prazo, mas cadê eles? A questão foi respondida de imediato ao ouvir a voz de Gretta naquela noite. O cara não bobeou e já ofertou produzir um álbum da cantora, mesmo ciente que acabara de ser despedido de seu alto cargo.
Juntos, eles tem a brilhante ideia de gravar todo álbum nas ruas de Nova York, com os mais diversos sons ambientes, justamente para dar essa visão crua e unplugged das canções/voz de Gretta. Durante o longa, é impossível não torcer pelo sucesso da dupla só pelo empenho que eles depositam na empreitada. Sinceramente, deu vontade de levantar e fazer algo FODA (Mas esperei o filme acabar, tava muito legal)!
Geralmente, em minhas resenhas, conto a história do filme do início ao fim. Hoje vou fazer diferente e só dar o hotspot do que esperar deste que já se tornou um dos meus filmes preferidos (Entrou para o meu TOP 10!) e só confirmou que o John Carney é O CARA! A mágica do cinema é isso: Engrandecer coisas comuns de maneira que, por si, elas tomem alta proporção. Não vou bancar o calhorda e dizer que não piro em títulos "blockbusters" porque isso seria uma mentira braba! Mas encontrar um filme desses, quase por acaso, é uma raridade. Um dos diálogos dele diz que atualmente "existe muito cordão, mas poucas pérolas": Porra! É ou não é verdade!? Essa metáfora pode ser usada em N aspectos e, mesmo assim, não perder seu sentido. Tenho vivido um período "vulnerável" atualmente, depositando esperança e esforços em pessoas e ocasiões que não são tão brilhantes quanto demonstram de início. Como se eu visse pérola onde é só cordão, sabe? Esse filme é realmente animal.
O filme "Begin Again" chegou ao Brasil com o título de "Mesmo se Nada Der Certo" e não entendi porque não traduziram pra "Recomeço", "Tentar de Novo" ou alguma parada do tipo. O título ficou longo e pouco funcional. O diretor do longa (John Carney) é o mesmo do excepcional "Once - Mais Uma Vez", um dos meus filmes preferidos por transformar uma história simples em extraordinária. É claro que o elenco engrandeceu o filme e até a atuação do vocalista do Maroon 5 surpreende positivamente! Aliás, em dados momento do filme, pareceu uma reunião de técnicos do The Voice USA com a entrada do figuraça Cee-Lo Green em cena (Aliás, ele interpretou ele mesmo certo?). Uma coisa dita atualmente a respeito do longa é que "ele é o filme do cara do Maroon 5" e isso é bem relativo: Fato é que o Adam Levine participa do filme, mas ele não carrega a história nas costas. Se você não gosta do cara ou da banda, puxa de dentro um fator superativo: O longa vale a pena. E vai tranquilo que não é por conta só dele. Mesmo porquê a trilha sonora do filme é foda e ele é pouco responsável por esse pedaço do bolo, apesar de levar na moral a sensacional "Lost Stars".
Os grandes destaques de "Mesmo se Nada Der Certo" são de fato Keira e Rufallo! Vem cá: Só eu que acho que a princesa da saga "Piratas do Caribe" SABE cantar? Tipo, cantar e mandar bem! Foi a primeira surpresa quando, logo nos minutos iniciais do filme, ela abre a boca. O som da personagem é bem indie e ela manda BENZAÇO! Não torço para isso, mas, de repente, se ela tentasse lançar alguma coisa no segmento, podia até ganhar certa relevância (antes flopar nos charts, como acontece com todos os outros. É a vida). Agora falando de Mark Ruffalo, me responde uma coisa: Durante o filme, você lembrou do Hulk? E do cara que vê a fantasma em "E Se Fosse Verdade"? E "Ensaio Sobre a Cegueira", "Códigos de Guerra" então? NÃO, não lembrou! É foda assim esse cara. Você simplesmente não lembra dele em nenhum outro papel porque cada atuação tem personalidade própria e ele arregaça em cada uma.
Confira abaixo o trailer de "Mesmo se Nada Der Certo" e, assim que tiver uma brecha, não deixe de assistir:


7 de julho de 2014

CLINT EASTWOOD VOLTA AOS CINEMAS COM JERSEY BOYS: EM BUSCA DA MÚSICA

Musical ganhador do Tony Award está em cartaz nos cinemas brasileiros
O aclamado diretor Clint Eastwood volta aos cinemas com o longa Jersey Boys: Em Busca da Música, que conta a história de quatro jovens que moram no subúrbio de Nova Jersey e se unem para formar o icônico grupo de rock dos anos 60 “The Four Seasons”. O musical que inspirou o filme está em cartaz há mais de oito anos na Broadway e ganhou um Tony Award em 2006.

O convite para Eastwood dirigir a versão para o cinema de “Jersey Boys” partiu do produtor Graham King. “Sabia que ele tinha uma paixão pela música e especialmente pelo jazz. Enviei o roteiro e em dois dias depois ele me ligou e disse que queria fazer o filme”, conta King. 

Eastwood revela que o drama dos bastidores da formação do grupo foi o que mais o intrigou na história de Jersey Boys: Em Busca da Música. “Sempre amei a música do The Four Seasons, então sabia que seria divertido revisitar isso, mas o que mais me interessava era principalmente como esses jovens delinquentes, que não foram criados nas melhores condições, venceram na vida”, afirma Clint.

O diretor foi buscar no teatro os atores para protagonizarem o longa. John Lloyd Young, Erich Bergen e Michael Lomenda já viveram respectivamente Frankie Valli, Bob Gaudio e Nick Massi no espetáculo teatral. A novidade fora dos palcos foi o ator Vicent Piazza, que assumiu o papel de Tommy DeVito.

Clint Eastwood sempre teve uma forte relação com a música, o que lhe rendeu em setembro de 2007 o prêmio como músico de honra no Berklee College of Music, a maior faculdade independente de música do mundo.

Jersey Boys: Em Busca da Música está em cartaz e traz para os cinemas os sucessos que influenciaram uma geração, incluindo “Sherry”, “Big Girls Don’t Cry”, “Walk Like a Man”, “Dawn”, “Rag Doll”, “Bye Bye Baby” e “Who Loves You” em um enredo que revela a história dos ensaios e triunfos do grupo.

John Lloyd Young reprisa seu papel vencedor do Tony Award, o legendário vocalista do “The Four Seasons”, Frankie Valli. Erich Bergen atua como Bob Gaudio, que escreveu ou coescreveu os maiores hits do grupo. Michael Lomenda e Vincent Piazza interpretam respectivamente Nick Massi e Tommy DeVito, dois membros originais da banda “The Four Seasons”. O vencedor do Oscar® Christopher Walken (“O Caçador”) é o mafioso Gyp DeCarlo.

O vencedor do Oscar® Clint Eastwood (“Menina de Ouro”, “Os Imperdoáveis”) dirigiu Jersey Boys: Em Busca da Música a partir do roteiro e do livro de Marshall Brickman & Rick Elice, com música de Bob Gaudio e letras de Bob Crewe. O filme é produzido por Eastwood, Graham King e Robert Lorenz. Frankie Valli, Bob Gaudio, Tim Moore, Tim Headington, Brett Ratner, James Packer e Steven Mnuchin são produtores executivos.

A Warner Bros. Pictures apresenta a produção da GK Films e Malpaso Production, Jersey Boys: Em Busca da Música. O filme está em cartaz nos cinemas desde 26 de junho, e é distribuído pela Warner Bros. Pictures, uma empresa Warner Bros. Entertainment.

Confira abaixo o trailer do filme.


Divulgação: Espaço Z

6 de maio de 2014

Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum (2013)

Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2013 e indicado a dois Oscar técnicos – fotografia e mixagem de som - Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum, ao mesmo tempo que possui a visão dos irmãos Ethan e Joel Coen, seus roteiristas e diretores, carrega um certo travamento com relação aos sonhos não realizados do protagonista. A história é sobre a jornada de altos e baixos de um cantor de música folk, de enorme talento, mas com falta de sorte, Llewyn Davis (Oscar Isaac), os diretores autorais parecem querer trilhar o mesmo lugar já percorrido em seus filmes anteriores, mas sem tirar uma pepita de ouro. Contudo, assim como a maioria dos seus filmes é uma produção que vale a pena ser vista.

O filme é ambientado no começo dos anos 1960, com ótimas interpretações de rostos já conhecidos do universo dos Coen, como John Goodman (numa interpretação espetacular) e completado por caras novas como de Carey Mulligan (Drive), Garrett Hedlund (Na Estrada) e F. Murray Abraham (Sem Perdão). O cenário é a musica folk no Greenwich Village nova-iorquino antes do surgimento de Bob Dylan – que é representado rapidamente de um modo engraçado – trazendo uma visão da família norte-americana e um olhar cínico sobre os relacionamentos amorosos que embalam o contexto.
Tudo isso torna mais saboroso acompanhar as desventuras de Llewyn, lutando por um lugar ao sol depois do suicídio de um parceiro, mas não conseguindo encontrar um modo de ser realmente vencedor, essa obsessão da América. Um verdadeiro gato vira-lata na vida, um símbolo que aliás se torna literal, com a participação de dois bichanos no caminho atravancado do protagonista, que pode ser encarado como alguém imbuído de uma dignidade peculiar demais para seu próprio bem – o que dá à sua história um toque melancólico.

A melhor notícia do filme é como o guatemalteco criado em Miami, Oscar Isaac atua bem quando tem chance num filme bom – já tinha dado para notar com seu pequeno papel em Drive, ao lado de Ryan Gosling. Aqui, ele se apropria de um personagem que facilmente cairia na caricatura, não fossem os Coen, e ele mesmo, os profissionais sutis que são. De quebra, ainda mostra seus dotes como cantor.


1 de agosto de 2011

Cinema e Música, o casamento perfeito!

O texto de hoje é mais uma ótima contribuição do Victor Costa. Divirtam-se:

Em pleno século XXI não há forma melhor de casar as duas artes mais populares do mundo – cinema e música – do que através de um musical. E, se feito da forma correta, com a vibração perfeita e o embalo agradável, é certamente um filme que se tornará incansável de se rever. Passando por altos e baixos durante a história do cinema, os musicais sempre acompanharam gerações: contam histórias de amor, de guerra, dramas, fantasias e catapultaram artistas para a fama e a história com uma força sem igual. Aqui você conhecerá um pouco da história dos musicais e exemplos de filmes indispensáveis desta categoria cinematográfica.

cena de Cantando na Chuva
Surgindo dos musicais teatrais, este gênero divide opiniões acerca da sua aparição nos cinemas. Eu sou da parcela de cinéfilos que acredita que os musicais existiam desde o cinema mudo, onde os filmes eram embalados por trilhas-sonoras, que substituíam as vozes dos atores, tendo em vista a falta de tecnologia para editar e mixar o som na época. Porém, existe uma parcela de estudiosos que percebem o surgimento dos musicais no cinema apenas com o advento do áudio, pois só assim ele se consagrou como o gênero onde os atores cantam, dançam e, acreditem, interpretam. Um exemplo disso veio em 1939 com o lindo, único e indiscutivelmente bem feito "O Mágico de Oz", que eternizou a canção "Somewhere Over The Rainbow", cantanda pela pequena Dorothy (Judy Garland).

A chamada "golden age" (era de ouro) dos musicais no cinema foi nas décadas de 50 e 60, onde foram feitos os mais grandiosos e memoráveis filmes do gênero. Ela inicia-se com o filme que é considerado por muitos o melhor musical de todos os tempos, o leve "Cantando na Chuva", com Gene Kelly. A cena mundialmente conhecida do personagem Lockwood dançando e cantando em uma coreografia que faz o casamento perfeito entre a chuva e um guarda-chuva preto, encantou os espectadores e difundiu o gênero. No mesmo embalo foram feitos outros grandes filmes, como "Cinderela em Paris" com Fred Astaire, o sapateador perfeito, e Audrey Hepburn, a atriz perfeita que, em 1964 faria o espetacular "My Fair Lady" que, na minha opinião é o melhor musical de todos os tempos. Outros filmes da época foram "Gigi", "Amor, Sublime Amor",  além de "A Noviça Rebelde" e "Marry Poppins" com Julie Andrews.

cena de Moulin Rouge
Nas décadas de 80 e 90, os musicais entraram em declínio. Não existiram grandes filmes e, os que tentaram, penderam demais para a comédia, o que não necessariamente os tenha estragado, mas já não tinha a mesma magia de antigamente. Contudo, em 2001 é lançado o americano "Moulin Rouge – Amor em Vermelho" que, com a voz marcante e a beleza divinamente esculpida de Nicole Kidman, resgatou o embalo e o entretenimento dos musicais, acrescentando uma coisa nova: tecnologia. Este filme trouxe uma característica típica dos musicais antigos, que é a remodelagem de canções conhecidas de autores consagrados, dando uma nova roupagem e casando-as perfeitamente com o roteiro. Exemplos de canções conhecidas do filme são "Your Song", de Elton John, "I Will Always Love You", eternizada na voz de Whitney Houston, e "Nature Boy", de David Bowie. Tal filme foi o início de uma nova fase dos musicais, que teve seu auge no ano seguinte, com "Chicago", que ganhou o Oscar de melhor filme, coisa que não acontecia com um musical desde 1968. Depois disso apareceram os mais variados, desde singularidades, como "Swenney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet", "Hairspray" e "Mamma Mia", até descaminhos como "High School Musical" e "Burlesque".

Os musicais são fantásticos e a história comprova isso. Hoje em dia o gênero sofre com certo preconceito, principalmente entre os jovens, mas acredito que seja algo que não durará por muito tempo. Vejam musicais, se apaixonem pelo gênero e prestigiem o casamento perfeito da magia do cinema com a sutileza sentimental da música.

28 de abril de 2011

TOP 10 Filmes de Casamentos

Estamos todos sabendo do casamento do ano, que acontecerá amanhã na Inglaterra. Aproveitando os holofotes do Royal Wedding (do Príncipe William e Catherine Middleton), fizemos um TOP 10 filmes de casamento.

Confira nossa lista e comente o que você acha:


10) Tristão e Isolda (Tristan + Isolde, 2006)
Enquanto os clãs lutam pelo poder na Inglaterra da Idade Média - após a queda do Império Romano - o jovem Tristão, cujos pais foram assassinados, é adotado por seu tio, Lorde Marke, e vira seu maior guerreiro. Dado como morto, Tristão é encontrado e tratado pela bela Isolda, com quem troca juras de amor, mas mantém seu nome em segredo. Ele ganha em um torneio de lutas a mão da princesa irlandesa para Lorde Marke, sem saber que ela é na verdade Isolda. O casamento trará a paz e a unificação dos clãs, mas a paixão faz com que Tristão e Isolda arrisquem tudo para viver seu amor proibido. Um amor proibido que nem Romeu e Julieta viveram.

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9) Os Normais - O Filme (2003)
Vani (Fernanda Torres) e Rui (Luiz Fernando Guimarães) estão prestes a se casar. Ela com Sérgio (Evandro Mesquita), ele com Martha (Marisa Orth). Ambas as cerimônias estão marcadas para a mesma igreja, sendo uma às 18 h e outra às 20 h. É lá que Vani e Rui se conhecem, quando ela lhe pede um pouco de arroz para comemorar seu casamento que está para ocorrer.

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8) Vestida para casar (27 Dresses, 2008)
Jane (Katherine Heigl) é uma mulher idealista e romântica, que jamais encontrou o amor de sua vida. Ela imagina tê-lo encontrado em George (Edward Burns), seu chefe, por quem nutre uma paixão secreta, mas sua irmã caçula Tess (Malin Akerman) é mais rápida e conquista seu coração antes. Isto faz com que Jane repense sua vida, já que sempre foi boa em fazer com que as outras pessoas sejam felizes sem que ela própria seja.

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7) Quatro casamentos e um funeral (Four Weddings and a Funeral, 1994)
Solteirão (Hugh Grant) não quer se comprometer de forma nenhuma até conhecer, em um casamento, uma envolvente mulher. Mas, suas convicções tem as estruturas abaladas logo no primeiro casamento do título, quando conhece uma bonita e extrovertida americana (Andie MacDowell), que também se sente atraída por ele.

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6) Casamento Grego  (My Big Fat Greek Wedding, 2002)
Toula Portokalos (Nia Vardalos) tem 30 anos, é grega e trabalha no restaurante de sua família. O sonho de seu pai é vê-la casada com um grego, mas ela espera algo mais da vida. Com muito custo, Toula consegue convencer seu pai a lhe pagar aulas de informática, como forma de melhorar seu trabalho. No curso, ela conhece e se apaixona por Ian Miller (John Corbett), sendo correspondida. Porém, Ian é inglês e, por causa disso, eles decidem manter seu namoro em segredo. Logo eles são descobertos, desencadeando um processo de aceitação para Ian, para que ele possa se adequar às tradições gregas.

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5) Noiva Cadaver (Corpse Bride, 2005)
Em um vilarejo europeu do século XIX, vive Victor Van Dorst (Johnny Depp), um jovem que está prestes a se casar com Victoria Everglot (Emily Watson). Porém, acidentalmente, Victor se casa com a Noiva-Cadáver (Helena Bonham Carter), que o leva para conhecer a Terra dos Mortos. Desejando desfazer o ocorrido para poder enfim se casar com Victoria, aos poucos Victor percebe que a Terra dos Mortos é bem mais animada do que o meio vitoriano em que nasceu e cresceu.

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4) O Casamento do meu melhor amigo (My Best Friend's Wedding, 1997)
Julianne (Julia Roberts) e Michael (Dermot Mulroney) combinaram que, se ambos continuassem solteiros quando completassem 28 anos, se casariam. Quando recebe um telefonema do amigo, às vésperas da fatídica data, anunciando que está prestes a se casar com outra (Cameron Diaz), Julianne se descobre apaixonada por ele e aceita o convite para ser madrinha, com segundas intenções.

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3) A familia da noiva (Guess Who, 2005)
Percy Jones (Bernie Mac) é um chefe de família que se orgulha de estar sempre certo. Ele está prestes a conhecer Simon Green (Ashton Kutcher), o novo namorado de sua filha Theresa (Zoe Saldana). Temeroso, já que acredita que não exista homem bom o suficiente para sua filha, Percy encomenda uma investigação de crédito de Simon. O resultado o tranquiliza, já que Simon é um bem sucedido corretor de ações, com Percy acreditando que ele seja um ótimo pretendente para Theresa. Porém, o que ele não contava era que Simon fosse branco. Surpreso com a situação, Percy começa a questionar Simon sobre sua vida e suas origens. Mas o que Percy não sabe é que Simon já pediu Theresa em casamento e que o casal pretende anunciar o noivado na festa de bodas de prata do casamento dos pais dela.




2) Penetras bom de bico (Wedding Crashers, 2005)
John (Owen Wilson) e Jeremy (Vince Vaughn) são amigos de longa data, sendo que trabalham juntos como mediadores de divórcios. A dupla tem como hobby ir a festas de casamento nos fins de semana sem serem convidados, com o objetivo de seduzir mulheres que se entusiasmam com a simples idéia de se casar. Até que conhecem Claire (Rachel McAdams), uma jovem noiva que é também filha de um influente político (Christopher Walken), que faz com que a dupla entre em sérios apuros.









1) Mamma Mia (Mamma Mia!, 2008)
Donna (Meryl Streep) é uma mãe solteira e independente, dona de um charmosíssimo hotel na bela ilha grega de Kalokairi. A filha Sophie vai se casar e Donna convida suas melhores amigas. Mas Sophie, que secretamente sonha encontrar o pai, faz também três convites inesperados. À ilha, chegam três homens que pertenceram ao passado de Donna, e qualquer um deles pode ser o pai de Sophie. Em 24 horas, Donna se desespera e a confusão se instala nesta deliciosa comédia, iluminada pelas canções do Abba, as paisagens e o mar azul da Grécia.







28 de março de 2011

Tenacious D: Uma Dupla Infernal (Tenacious D: The Pick of Destiny, 2006)

Você pode nunca ter ouvido falar desse filme ou dessa banda de Heavy Metal, Tenacious D, mas se você gosta de rock e comédia, tem que ver esse filme. Seguindo sugestão da minha amiga Fátima Rama (a designer do nosso blog), resolvi descobrir esse musical.

Sempre fui muito ligado à música, mas nunca me interessei por Heavy Metal, talvez por isso eu nunca tenha ouvido falar dessa banda formada por Jack Black e Kyle Gass, em 1994. Suas músicas, com letras originais, mas um tanto quanto "esdrúxulas", levaram a banda a se interessar pelo Cinema, aproveitando a carreria de Black na sétima arte.

Apesar do infeliz nome em português, típico de "Sessão da Tarde", o nome original ("Tenacious D: A Palheta do Destino") orienta melhor sobre a história.

Black se apresenta como um garoto diferente de sua família, pois  deseja ser um astro do rock. Após a revelação de um dos deuses do rock, ele parte para a Califórnia para encontrar aquele que será sua dupla e, juntos, formarão a melhor banda de rock do mundo. Após péssimas tentativas, eles descobrem que o segredo do sucesso é encontrar a "Palheta do Destino", feita com um dente do demônio, o que deu poderes satânicos para os maiores guitarristas da história do rock.

Entre muito metal acústico, muita confusão e o melhor (ou pior) do típico humor de Jack Black, há um duelo com Satã, interpretado por David Grohl (ex-baterista do Nirvana e vocalista do Foo Fighters).

Vale a pena para quem está disposto a uma comédia pastelão, sem noção, musical de heavy metal com letras toscas. Eu até que gostei, mas é o típico filme para ver uma vez só.

14 de fevereiro de 2011

BURLESQUE

O Burlesque Loungue é um clube de dança atolado em dívidas e sua proprietária, Tess (Cher), corre o risco de perdê-lo. Ali (Christina Aguilera) é uma garota com um talento natural de diva que deixa sua cidadezinha no interior para ir atrás do seu grande sonho de se tornar cantora e vai embora para Los Angeles. Assim que chega lá, conhece o Burlesque e aprende que é uma dança sensual, sem fazer striptease.

Ali tenta convencer Tess do seu talento, porém a única chance que ganha é trabalhar como garçonete no clube. Com o passar do tempo, ela aprende todas as coreografias e, um dia, e uma audiência para substituir uma dançarina que ficou grávida, Ali invade o palco para mostrar à Tess e seu assistente Sean (Stanley Tucci) a que veio e começa a dançar no palco de Burlesque.


Ainda não satisfeita, Ali quer inovar os shows para poder mostrar todo o seu potencial como cantora. A oportunidade perfeita aparece quando sua rival, Nikki (Kristen Bell) desliga o som durante uma apresentação e Ali começa a cantar para valer, sem microfones, deixando todos impressionados (convenhamos, as músicas da Christina podem ser ruins, mas não podemos negar que ela canta muito!).


Nesse meio tempo ela vai morar no apartamento de seu colega de trabalho, Jack (Cam Gigandet). Ele tem uma noiva que mora longe e acaba se apaixonando por Ali.

Com as dívida cada vez pior, aparece a oportunidade de vender o Burlesque para o super milionário Marcus (Eric Dane) que, entre seus escusos interesses está o de ficar com Ali. Mais tarde Ali descobre que ele só quer demolir o clube para construir um prédio e é aí mesmo que aparece a salvação para as dívidas do Burlesque e a vitória de Tess.


É um filme que não pretende inovar a linguagem cinematográfica ou mesmo de musicais, mas o filme é super caprichado, repleto de diálogos divertidos, indo do drama ao humor naturalmente. O ponto forte do filme são as músicas, cantadas pela Cher (que além da idade, está ‘inteirassa’ e manda uma mensagem para aqueles que acham que a carreira dela está acabada), e Christina Aguilera, que como dizem no filme: “Como uma pessoa branca consegue cantar desse jeito?”. As coreografias são muito bem feitas, e as dançarinas mandam muito bem.


O filme é todo bonito, um musical com drama e humor que vale a pena ser assistido!

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