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23 de julho de 2014

PLANETA DOS MACACOS: O CONFRONTO

Por mais que tente, o cinema atual jamais irá fazer algo tão impactante quanto à cena final de O Planeta dos Macacos de 1968. Ao ver a Estátua da Liberdade encravada na praia, o personagem Taylor (Charlton Heston) nos condena por ter destruído a Terra e não restar dúvida sobre a falta de fé que tinha com relação à humanidade. Eram tempos em que o mundo vivia temeroso com a guerra fria e o filme nada mais era do que uma metáfora com relação a esse temor e sobre os conflitos de raças e classes que haviam em abundância ainda na década de 60.

O mundo de hoje é muito diferente de 46 anos atrás, mas nem por isso deixamos de ter problemas globais que nos deixam apreensivos. Casos recentes como as guerras sem fim em Israel e os recentes conflitos da Rússia e Ucrânia, nos levam cada vez mais a nos preparar para o pior. Planeta dos Macacos: O Confronto é mais do que uma sequência da reinvenção do clássico lançado em 2011, como também é uma metáfora desse medo devido ao desconhecido futuro e sobre a falta de diálogo que existe entre as nações e que as leva à guerra.

Dirigido por Matt Reeves (Cloverfield – Monstro) a trama se situa dez anos após os eventos vistos no filme anterior. Os humanos sofreram o flagelo do vírus símio (numa sequência de abertura engenhosa) enquanto os macacos liderados por Cesar (Andy Serkis, soberbo) sobrevivem na floresta onde criaram a sua própria comunidade. Os problemas acontecem, no momento em que um grupo de humanos sobreviventes surge do nada, na tentativa de buscar uma forma de religar uma usina elétrica que se encontra na floresta.

O simples fato dos humanos quererem de volta energia elétrica para ao menos ter um mínimo de conforto numa San Francisco em ruínas, é o suficiente para gerar inúmeras desconfianças dos dois lados. Pode-se dizer que ambos são representados por opiniões distintas: se na comunidade dos macacos Cesar, mesmo que relutante, tenta contornar os problemas através do diálogo, temos o seu braço direito Koba (Toby Kebbell, espetacular) carregado de ódio e que deseja o extermínio dos humanos. Já no lado dos humanos temos Malcolm (Jason Clarke), que enxerga em Cesar a razão naquela comunidade inusitada e busca o dialogo através dele. Porém temos o líder dos humanos Dreyfus (Gary Oldman) que não vê esperança nenhuma através de seres que ele acha serem irracionais.

Essa divisão e opiniões diferentes é o que geram inúmeros momentos de tensão, pois a qualquer momento há de se explodir e gerar consequências irreversíveis. Os roteiristas, habilidosos como ninguém, criam pequenos prelúdios de um inevitável conflito que, por incrível que pareça, soam realmente imprevisíveis e que vai contra a expectativa daquele que assiste. Quando a guerra chega finalmente entre humanos e macacos, se tem então um verdadeiro show de horror, onde mentiras, medo, ódio e desconfiança irão gerar mortes desnecessárias.

Numa super produção como essa, é sempre óbvio haver um verdadeiro show de efeitos visuais que atrai a massa. Porém, desde o filme de 1968, a cine série Planeta dos Macacos sempre teve a intenção de gerar uma reflexão e horas de debates após a sessão. Mesmo sendo ficção e possuir algumas situações absurdas para os olhos de alguns, é bom ver que o cinemão americano ainda tem consciência de que nós refletimos sobre o que vemos.
Tecnicamente o filme é quase impecável, mas muito se deve ao lado humano e esse tem um nome: Andy Serkis. Quando se pensa em desempenho capture (aquela técnica em que minicâmeras e sensores fornecem a base real para um personagem digital) o cinéfilo sempre se lembrará desse ator que injetou algo há mais além de dar movimentos aos personagens criados pelo computador. Deu a eles vida e fazer com que realmente enxergássemos e sentíssemos a vida através de suas expressões e não um mero boneco virtual.

Mesmo que Weta Digital seja pioneira nesse tipo de técnica e crie efeitos visuais soberbos, Serkis prova que o lado humano da atuação será insubstituível e ele não está só: interpretado por Toby Kebbll, Koba é outro personagem macaco que rouba a cena com seus conflitos e ódio vindo do seu interior. O personagem já havia chamado atenção no ato final do filme anterior, mas ninguém imaginava o quão longe ele chegaria nessa sequência, provocando discórdia entre humanos e macacos e criando situações imprevisíveis e que nos faz pular da cadeira. 

Com um ato final que usa de elementos vistos no último capitulo da cine série Clássica (Batalha no Planeta dos Macacos), Planeta dos Macacos: O Confronto termina dando uma dica de que há mais trama vindo por aí. Se for o caso, torçamos que a qualidade de história, com altas doses de reflexão, que bombardeia em nossas mentes após sairmos da sessão, se mantenha na próxima aventura.


25 de junho de 2014

Planeta dos Macacos: O Confronto - Trailer e Poster

A Fox Film do Brasil divulga o trailer e o pôster de lançamento de “Planeta dos Macacos: O Confronto”, que estreia em 24 de julho.
No novo filme, o diretor Matt Reeves traz a esperada sequência de “Planeta dos Macacos - A Origem” à vida com os escritores Rick Jaffa, Amanda Silver, Scott Z. Burns e Mark Bomback. Planeta dos Macacos - O Confronto é estrelado por Andy Serkis, Gary Oldman, Jason Clarke, Kodi Smit-McPhee, Keri Russell e Judy Greer que seguem a crescente comunidade de primatas geneticamente evoluídos, liderados por Cesar, quando os primatas entram em contato com humanos sobreviventes pela primeira vez, em uma década, desde que a gripe símia dizimou a raça humana. O contato entre eles leva a um conflito e uma série de eventos que ameaça levar as duas raças à guerra que determinará qual espécie irá dominar a Terra.


27 de fevereiro de 2014

ROBOCOP (2014)

Fazer uma refilmagem que supere a obra original, que é considerada um grande clássico, é o mesmo que querer reverter o curso de um rio. Por muito tempo Robocop ficou sendo alvo dos estúdios para retornar aos cinemas, mesmo sobre uma avalanche de protestos perante o projeto. Para a surpresa de todos, a árdua tarefa coube ao nosso cineasta brasileiro José Padilha (Tropa de Elite 1 e 2) que, se por um lado faz um trabalho que não supera o original, por outro, ele injeta a sua forma pessoal de se criar um filme e evita do projeto ter ido numa direção muito mais delicada.
Felizmente, a produção não caiu na armadilha de fazer a mesma história que, embora tenham alguns pontos semelhantes, o filme de Padilha se envereda para outras questões não exploradas no original, como o fato de ser essencial um policial robô ter ainda o seu lado humano para que possa ganhar a confiança do público. Mas, talvez, uma das melhores coisas dessa mais nova versão é ver o protagonista ter que aceitar a sua condição meio homem e meio maquina.

Alex Murphy (Joel Kinnaman) é quase morto num atentado arquitetado por bandidos. Felizmente (ou não) consegue a oportunidade de continuar ainda vivo, graças ao projeto da empresa OmniCorp comandada por Raymond Sellars (Michael Keaton), que tem a ambição de colocar um ser humano num robô policial. É ai que entra em cena o cientista Norton (Gary Oldman), que é incumbido de transformar Alex numa máquina de combate contra o crime.
  
Diferente do original, Alex não descobre aos poucos que um dia foi um ser humano, sendo que, imediatamente, ele acorda após a operação (numa seqüência de sonhos com direito a música de Frank Sinatra) e começa a encarar a dura realidade do que aconteceu com ele. Sem sombra de dúvida essa é uma das partes mais corajosas do filme, onde a armadura é tirada gradualmente e revela o que somente sobrou de Alex embaixo da carcaça de metal. É nesse ponto que Joel Kinnaman surpreende ao interpretar Alex Murphy, pois ele passa para nós toda a dor que está sentindo e desejando não estar naquela situação.
Com isso, o filme se envereda mais no drama do personagem em ter que aceitar a sua condição de ciborgue, sendo que ter uma vida normal com sua esposa (Abbie Cornish) e filho será praticamente impossível.

Em meio a isso, o protagonista passa por inúmeros testes para ver se é correto um homem meio robô patrulhar as ruas. Ao mesmo tempo, começa gradualmente o filme a revelar as suas reais intenções, tanto Raymond Sellars como também da própria policia em que um dia Alex trabalhou. É ai que se encontra o motivo pelo qual Padilha quis trabalhar nesse projeto, pois o filme faz com que o cineasta volte a trabalhar num assunto bem espinhoso visto em Tropa de Elite 2: a policia corrupta que, por vezes, trabalha até mesmo para aqueles que ela mesmo caça. Isso faz com que a trama não caia numa vala comum e faz com que a gente questione aqueles que deixemos nossas vidas por um desejo de segurança.
Não há como negar que vemos a forma de Padilha filmar em boa parte do filme, sendo que a sequência inicial onde vemos inúmeros drones tentando fazer uma pacificação em Teerã, faz com que, por um momento, sentirmos a sensação que voltamos ao lado de Capitão Nascimento subindo o morro. Isso, claro, se deve ao fenomenal trabalho de Lula Carvalho, cuja sua câmera sempre está em movimento, criando então a sensação de um documentário, filmado ao vivo, mas que não é muito de se admirar, já que o estrelado de Padilha e seus técnicos vieram do seu primeiro grande sucesso de critica que foi o documentário Ônibus 174.
Infelizmente nem tudo são flores nessa produção, já que se ouviu que Padilha se incomodou muito com os produtores que não queriam que ele tivesse 100% de liberdade para criar o filme. Se tiver um olhar mais atento, irá reparar que do inicio até o final do segundo ato do filme é Padilha puro. Contudo, do terceiro ato em diante, tem-se a sensação de que os produtores meteram as mãos nas rédeas e queriam que a trama tomasse um novo rumo.

Obviamente que isso aconteceu, já que até mesmo a trama dá um espaço para uma possível sequência, caso o filme seja o sucesso que o estúdio tanto deseja. Vendo esse terceiro ato como ficou, imagino então como seria se não tivesse um diretor autoral como Padilha, que deu um pouco de alma para o projeto. Com certeza o resultado final seria muito pior. 

No final das contas o filme é bem divertido, com boas doses de reflexão, mas que, com certeza, irá se tornar um bom exemplo de filme que seria melhor, se não fosse ambição de produtores falando mais alto.


27 de julho de 2012

O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE (Dark Knight Rises, 2012)

Em 1995, chegava nos quadrinhos do Brasil a série “A Queda do Morcego”, apresentando um novo inimigo ao Batman. Tão inteligente quanto Bruce Wayne e ainda mais forte em função da droga Venon que injeta em seu sangue, Bane literalmente quebra Batman ao meio, deixando-o paraplégico. A revolução nos quadrinhos para a volta de Bruce Wayne marcou a minha infância. Eu sempre ficava imaginando como seria ver o combate entre eles nos cinemas. De certa forma, estou esperando por este filme há 17 anos, muito antes de Chris Nolan pensar em filmá-lo. Hoje, esse sonho, por mais piegas e ridículo que possa parecer, se realizou.

É extremamente complicado para um fã tentar fazer uma crítica isenta, para não dizer, impossível. Não sou apenas fã da trilogia, mas da própria história do Batman nos quadrinhos. É muita prepotência, da minha parte, tentar julgar o trabalho de um gênio como Chris Nolan e de grande atores como Christian Bale, Morgan Freeman, Michael Caine, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Gary Oldman, Joseph Levitt e Tom Hardy. O que posso dizer é que o filme é sensacional, não tanto quando o segundo, mas ainda assim espetacular.

O longa-metragem tem um ritmo muito frenético, exigindo muita atenção do espectador, como é do gosto de Nolan (vide A Origem e O Cavaleiro das Trevas). Acredito que quem não tenha assistido aos dois primeiros, talvez sinta falta de algumas explicações. No entanto, para quem acompanhou toda a saga, a obra está completa, com referências às histórias anteriores e alimentando a fantasia do que poderia acontecer após este terceiro episódio.
O título do filme é perfeito, pois o Homem-Morcego realmente ressurge, duas vezes. A história se passa 8 anos após os acontecimentos do último filme, quando Batman assume para si a culpa pelos crimes do promotor de justiça Harvey Dent, o Duas-Caras, inocentando-o para despertar na população a esperança de justiça e paz para a cidade. Quando um novo mal desperta sobre Gotham City, Bruce Wayne percebe que os tempos de paz se foram e que a cidade ainda precisa dele.
Esta obra segue a abordagem do terror psicológico dos outros dois e Tom Hardy consegue transmitir tudo através do olhar de Bane. Além disso, a alteração na voz, em função da máscara que o personagem usa, causa calafrios.
As cenas de ação são excelentes, mas eu esperava mais das lutas entre Bane e Bruce Wayne. A trilha sonora de Hans Zimmer é precisamente perfeita. As surpresas estão em alguns persongens com nomes alterados para não levantar suspeitas até o final, uma jogada brilhante dos roteiristas. O curioso é a ladra Selina Kyle, que não é citada como “Mulher-Gato”. E para quem tinha dúvidas se ela convenceria como "mulher fatal", vai mudar de ideia depois deste trabalho. Meu destaque, entretanto, é para a Marion, que ficou realmente muito parecida com sua personagem dos quadrinhos, além de estar muito gostosa bonita.
Não há muito mais a comentar, pois tenho receio de estragar algum momento precioso. Cada cena deve ser saboreada. É efetivamente um final épico. O fim de uma jornada que deixará saudades e aquele desejo insaciável de mais uma continuação, ainda mais com todas as surpresas do final do filme. Torço para que não façam um reboot tão cedo para que este trabalho se perpetue no imaginário popular.

ASSISTAM !!!

Obs.: Só não recomendo o Cinemark do Bourbon Ipiranga - Porto Alegre, o som comprometeu um pouco exibição.


Em breve, comentários sobre:

BATMAN (1943)

BATMAN and ROBIN (1949)

BATMAN (1966)

BATMAN (1989)

BATMAN RETURNS (o Retorno, 1992)

BATMAN FOREVER (Eternamente, 1995)

BATMAN AND ROBIN (1997)

BATMAN BEGINS (2005)

BATMAN DARK KNIGHT (O Cavaleiro das Trevas, 2008)

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