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9 de março de 2015

Para Sempre Alice (Still Alice, 2014)

Há alguns trabalhos indicados ao Oscar de melhor atriz neste ano que são realmente impressionantes, mas é impossível não se encantar com Julianne Moore em Para Sempre Alice, filme que é carregado pela atuação da atriz em grande momento de sua carreira impecável.
Adaptado de romance do mesmo nome, Para Sempre Alice acompanha uma professora universitária de meia idade que descobre um tipo raro de Mal de Alzheimer. Ironias à parte, ela, especialista em linguística, se vê perdendo tudo aquilo que conquistou ao longo da vida: a admiração dos que vivem em seu entorno, a capacidade de se comunicar, a memória sobre quem ama.

Há um tom um pouco exagerado no lado dramático na adaptação que não esconde o uso do lado mais emocional. O roteiro escrito pela dupla que também assina a direção - os novatos Wash Westmoreland e Richard Glatzer - não tenta fugir das fórmulas que estamos tão acostumados a ver em retratos de personagens rumo a sua via crucis. Para Sempre Alice é como uma versão até leve de Amor, filme de Michael Haneke que venceu a estatueta de filme estrangeiro em 2012.

No entanto, o lado sensível da atuação de Julianne Moore impede o filme de se tornar um mero retrato pálido de uma personagem cuja personalidade vai se deteriorando à nossa frente. Sempre segura em sua interpretação, Moore nos conecta a esta personagem cheia de personalidade, mesmo quando a trilha insiste em tentar levar os cinéfilos á encher os olhos de lágrimas.

Se por um lado há muito açúcar nesta xícara, Para Sempre Alice pelo menos tem personalidade própria. De alguma forma, o filme consegue enlaçar a trama com o cinéfilo que assiste, mesmo quando determinados coadjuvantes entram e saem sem a gente se importar muito com eles. Alice possui filhos e marido, mas são tão presos em suas individualidades que eles lidam de maneiras diferentes com a doença da protagonista. O comportamento oposto entre Anna (Kate Bosworth) e Lydia (Kristen Stewart) humaniza esta trajetória, assim como a possível insensibilidade de seu companheiro, vivido por Alec Baldwin.

É difícil não desejar ficar ao lado de Alice e sentir sua impotência perante o seu mundo. Perdendo as memórias e as lembranças responsáveis por sua conexão com a realidade em que vive, a personagem parece perder a si mesma. O título do filme dá a entender que ela será para sempre a mulher forte que vemos nos primeiros momentos da projeção. Viva na memória das pessoas que ama, talvez ainda seja possível. Isso, obviamente, se você beber uma boa dose de fé perante os obstáculos.


25 de outubro de 2012

Amanhecer: Parte 2 - Trailer Legendado


Amanhecer: parte 2, de Bill Condon. O final tão esperado pelos fãs da saga Crepúsculo. Depois do nascimento de Renesme, os Cullens se juntam com outros clãs de vampiros e aos lobisomens a fim de protejer a criança dos Volturi. Com Kristen Stewart, Robert Pattinson e Taylor Lautner.


22 de julho de 2012

NA ESTRADA (On The Road, 2012)

A convite do CineClube ZH, estivemos presentes na exibição do filme Na Estrada, do diretor brasileiro Walter Salles. Após a sessão, houve debate com o cineasta Fabiano de Souza e o jornalista Carlos André Moreira.

Adaptado da obra homônima de Jack Keroauc, lançada em 1957 e um dos marcos do movimento beatnik nos Estados Unidos, Na Estrada conta a história de Sal Paradise (Sam Riley), um jovem de classe média, nova iorquino, que sonha em ser um grande escritor. Para encontrar a sua história, ele cai na estrada com diversas pessoas, mas se relaciona mais intensamente com Dean Moriarty (Garrett Hedlund), um gênio indomável. Juntos, eles vivem o final dos anos de 1940 e início dos 1950, de forma intensa, com muito sexo, drogas e jazz.

O roteiro e o livro são "semi-biográficos" do próprio Kerouac. O longa-metragem dá uma ideia de toda a loucura que foi a vida dessas pessoas, ao romperem com o padrão de vida no pós-guerra, rejeitando o conservadorismo exacerbado para adotar um estilo desregrado, de contemplação das coisas simples e abuso de sensações mais eletrizantes. Uma frase dita por Sal exemplifica bem o sentimento dos jovens personagens: “Eu prefiro os loucos”.
É curioso o fato de que o livro seja a base de todos os "road movies", desde os anos de 1950, mas neste filme, em si, mostra-se muito pouco as rotas e estradas pelo qual se passa a história, sem ressaltar a experiência dos personagens com as viagens realizadas. Salles acabou se focando, principalmente, nas efêmeras relações dos personagens centrais, talvez em função da realidade de quem vive viajando: ficar pouco tempo em cada lugar e não se envolver muito com cada pessoa.

Quanto aos detalhes técnicos, o filme é muito bom e coloca o diretor brasileiro como bem cotado para vencer muitos prêmios com esta obra. Todas as atuações estão ótimas. Além dos atores centrais (Riley e Hedlund), todos os demais se destacam: Kristen Stewart, Kirsten Dunst, Viggo Mortensen, Amy Adams, Alice Braga, Terrence Howard, Steve Buscemi. Enfim, um baita elenco!
A trilha sonora é magníficamente animada, excelente para quem curte muito jazz. Porém, é um tanto quanto óbvio que, para um filme sobre viagem, o destaque maior seja a fotografia. Convenhamos, a captação da paisagem do interior dos Estados Unidos e a exposição de seus extremos é sempre deslumbrante. Neste filme, o diretor de fotografia Eric Gautier faz um trabalho espetacular, principalmente com a construção das cenas de neve feitas em Bariloche, Argentina.

Vale a pena conferir, mais pelo significado do livro para a história da nossa sociedade ocidental, do que pelo filme em si.

Até a próxima.


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